Bynd: “Investidores querem guardar o capital para novas rondas das startups. Não há descrença no ecossistema”

Francisco Ferreira Pinto, sócio da gestora de capital de risco, acredita que não há “descrença” no ecossistema empreendedor em Portugal e vai continuar a investir, mas há um novo critério de escolha: a exposição desse investimento à Covid-19.

A Bynd Venture Capital tem 32 startups participadas e continua à procura de novos investimentos, apesar da crise pandémica. A sociedade gestora de capital de risco, que em outubro lançou um fundo com mais 10 milhões de euros para projetos digitais e de sustentabilidade (ciências da vida e cleantech), gastou menos de 10% do plafond.

“Fizemos dois investimentos [entre os quais na clínica dentária espanhola Smile2Impress] e estamos ativamente à procura de novas oportunidades. Temo-nos adaptado à nova realidade, assistido a pitchs online, o que para grande parte das startups não é algo novo. As startups estão habituadas a ter sistemas centralizados, recursos em diferentes geografias e a recorrer a estas plataformas digitais para procurar investimento e fazer negócios”, disse o partner Francisco Ferreira Pinto.

Em entrevista ao Jornal Económico (JE), o sócio admite que, na generalidade, as rondas de financiamento possam demorar mais tempo a serem concretizadas e que os investimentos estejam em ‘pause’, para que possam ser retomados depois do levantamento das restrições à circulação e atividade económica. “Prevê-se uma quebra de 30 a 40% no investimento no mercado, mas não vejo que haja menos vontade de investir nem descrença neste ecossistema. Os investidores querem ajudar o seu portefólio e guardar o capital para novas rondas das participadas , para depois as apoiarem”, garante.

Segundo Francisco Ferreira Pinto, o novo coronavírus levou a que “um conjunto de objetivos de investimento fosse revisto”. A Bynd, que opera no mercado ibérico há uma década, garante que mantém a atividade “normal” de investimento porque a sociedade enquanto gestora de venture capital – antes era um grupo de “business angels” designado a Busy Angels – é recente, bem como o fundo que lhe está associado.

“No nosso caso, há um novo critério: a exposição do investimento à Covid-19. Através do track-record, métricas de vendas, alterações de rotinas de trabalho ou setores aos quais estão ligados, calculamos o impacto da pandemia nesses negócios. Situamos a empresa num nível de risco, medindo a exposição às indústrias mais afetadas e vendo se só podem fazer atendimento ao cliente ou não”

Francisco Ferreira Pinto acredita que, neste momento, a maior necessidade destas empresas é garantir tesouraria que dê resposta às quebras de faturação neste período de Estado de Emergência e aceder a linhas de financiamento de forma ágil, com critérios de aceitação adequados e requisitos de garantias, “para que os empreendedores não tenham de assumir mais riscos do que os que já têm” – ao criar uma empresa do zero. Mais fecho de portas de startups? “Acredito que acontecerá”.

Porém, esta sociedade tem visto startups que estão a crescer porque criaram soluções que resolvem problemas ou necessidades de quem está em isolamento. É o caso de empresas de e-commerce e entregas, plataformas de e-learning, telemedicina ou eventos online. “As empresas tecnológicas, como de health tech, viram a sua base reforçada. Há outras que começaram a usar o online ou ferramentas colaborativas e não o faziam. Depois da pandemia, vão ser reforçadas, porque há barreiras na digitalização que foram forçosamente ultrapassadas”, diz o investidor ao JE.

Ex-Busy Angels lança fundo de 10 milhões de euros para investir em digital e sustentabilidade

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