CDU começa hoje a votar na sucessão de Angela Merkel

Há três candidatos à liderança da União Democrata Cristã (CDU) e o escolhido poderá mesmo vir a assumir o papel de político mais influente da Europa, papel ainda desempenhado por Merkel.

REUTERS/Hannibal Hanschke

Os militantes da Coligação Democrática Unitária (CDU) começam esta sexta-feira a reunir-se para escolher quem irá suceder a Angela Merkel na liderança do partido conservador alemão, após 18 anos de chefia desta. Há três candidatos à liderança da União Democrata Cristã (CDU) e o escolhido poderá mesmo vir a assumir o papel de político mais influente da Europa, papel ainda desempenhado por Merkel.

São mais de mil delegados do partido que apoia o governo que estão elegíveis para votar no sucessor de Angela Merkel. O atual secretário-geral da CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer, o antigo líder do grupo parlamentar da CDU Friedrich Merz e Jens Spahn, atual ministro da Saúde do governo de Merkel, são os candidatos à sucessão na cúpula da CDU.

A votação para escolher o próximo líder da CDU está prevista para esta tarde, mas os analistas políticos prevêem que ocorra uma segunda volta entre os dois mais votados. O resultado da votação deverá ser anunciado esta noite. A menos que um candidato obtenha a maioria, uma segunda volta entre os dois mais votados ocorrerá no sábado, dia 8 de dezembro.

Kramp-Karrenbauer foi inicialmente descrito como o favorito à sucessão e conta com 18 anos de experiência política na linha de frente da CDU, incluindo seis anos como líder do estado de Sarre.

Friedrich Merz é advogado de formação, cuja principal atividade na advocacia situa-se no setor bancário. Merz acredita que pode reconquistar muitos dos milhões de eleitores que o partido perdeu para a direita, nomeadamente, a Alternative für Deutschland (AfD) nas últimas eleições para o parlamento germânico (Bundestag).

Jens Spahn, atual ministro da saúde, é outro dos três candidatos à liderança da CDU. Spahn defende a necessidade de “um novo começo para a CDU e para a Alemanha”.

Dezoito anos depois, o fim da “era Merkel”

Angela Merkel deverá discursar ainda esta manhã aos delegados da CDU, devendo receber uma homenagem do partido pelos anos de liderança. Apesar do partido ter começado a mover-se para a afastar, sobretudo por causa da polémica entrada de mais de um milhão de refugiados no país, em 2015, e dos resultados abaixo das expetativas nas últimas eleições para o Bundestag, Angela Merkel é reconhecida como alguém que teve um profundo impacto na modernização do partido.

Segundo o “The Guardian“, nos últimos dias, a televisão alemã tem repetido imagens destacando os anos de liderança de Merkel na CDU, incluindo imagens do seu nervoso discurso de aceitação em 2000, quando aceitou assumir a liderança do partido conservador, uma das forças conservadoras mais influentes da Europa. Cinco anos depois, foi eleita chanceler da Alemanha. Atualmente, a CDU enfrenta o dilema de ou manter o caminho e preservar o legado de Merkel ou orientar o partido mais para a direita, numa tentativa de reconquistar os eleitores que perdeu para AfD.

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