Cedência do PS ao “lobby” da Energia é “o que de pior há na política”

Na sexta-feira, o PS aprovou uma nova taxa sobre os produtores de energias renováveis, proposta pelo BE. Entretanto mudou de ideias e hoje reprovou essa mesma taxa. “Voltar atrás com a palavra dada é o pior que a política pode dar às pessoas,” criticou o bloquista Jorge Costa.

Foi o momento de maior tensão no debate sobre o Orçamento do Estado para 2018 que está a realizar-se na Assembleia da República. Depois de ter aprovado, na sexta-feira, a proposta do BE para a criação de uma nova taxa sobre os produtores de energias renováveis, no valor de 250 milhões de euros, o PS mudou de ideias e agendou uma nova votação da proposta para hoje, alterando o sentido de voto. Neste processo “encontramos o que de pior há na política”, criticou Jorge Costa, deputado do BE, ao intervir no debate de hoje.

“Voltar atrás com a palavra dada é o pior que a política pode dar às pessoas e não podemos aceitá-lo”, avisou o bloquista. E questionou, dirigindo-se ao PS e ao Governo: “Quem vão representar hoje? Os portugueses que pagam a mais alta fatura da eletricidade da Europa ou o ‘lobby’?” A resposta do PS coube ao deputado Luís Testa que enumerou uma série de medidas implementadas por este Governo no setor da Energia, mas não explicou a mudança de sentido de voto do PS quanto à referida proposta do BE, entretanto chumbada.

Mais à frente no debate, Jorge Costa voltou à carga sobre o mesmo assunto. Não deixando de reconhecer e elogiar o “trabalho conjunto que foi feito até agora” no setor da Energia, o bloquista acusou o PS de não responder à questão colocada. “Também faz parte do pior da política refugiarmo-nos em questões laterais quando somos questionados sobre algo concreto”, sublinhou. E voltou a insistir: “O PS votou a favor desta contribuição na sexta-feira. Quer alterar o seu sentido de voto? E se quer, porquê?”

Perante a falta de resposta do PS, o bloquista continuou a repetir a mesma pergunta. “Faltaram nervos de aço ao Governo para enfrentar o ‘lobby’ da energia nestes dias. E faltou nervos de aço ao deputado do PS para assumir uma mudança de posição”, lamentou. Até que o deputado Luís Testa, do PS, acabou por dizer que “é hora de insistir nas energias renováveis que nos vão libertar mais tarde ou mais cedo do défice tarifário” e que “por isso, é necessário prosseguir o cenário de cooperação com estas empresas.” Daí a mudança do sentido de voto. “É com pena que assistimos a esta cambalhota triste que o PS dá na 25ª hora sobre uma matéria tão importante a favor dos consumidores”, concluiu Jorge Costa.

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