Centeno: “Governo deverá continuar a reduzir legislativamente os impostos”

“Face ao primeiro trimestre de 2016, o emprego cresceu 370 mil postos de trabalho”, o que representa mais 9% de emprego do que em 2016, explicou o ministro da Finanças. “Os salários médios cresceram entre quatro e cinco por cento neste período”, salientou Centeno.

Cristina Bernardo

O primeiro-ministro António Costa já avançou ao público que a diminuição de impostos não é uma prioridade no atual Governo. Ainda assim, em entrevista à ‘Rádio Renascença’, Mário Centeno revelou que existe margem para reduzir “legislativamente” os impostos, e que no Programa de Estabilidade está previsto uma redução dos impostos diretos.

“A ação do Governo deverá ser no sentido de continuar a reduzir legislativamente os impostos”, garantiu Mário Centeno na entrevista, a poucos dias das eleições europeias e a cinco meses das eleições legislativas.

Atualmente, os portugueses estão a pagar mais de 100 taxas e impostos e a carga fiscal atingiu o valor máximo dos últimos 24 anos. O ministro das Finanças explicou que os impostos por parte do Governo têm caído, e que “economia tem estado muito forte e o mercado de trabalho apresenta um comportamento muito forte desde 2016”, sendo que “a carga fiscal por via das alterações legislativas do Governo tem caído” mas que a economia é que a tem feito subir”.

“Descemos o IVA da restauração, descemos no IVA outras 20 taxas”, assume Centeno. “Depois houve o alívio no IRS e o que significou também de alívio, para as empresas, as alterações ao PEC. Houve já inúmeras medidas na legislatura a promover a redução dos impostos pagos”, continuou o responsável pelas finanças de Portugal.

Mário Centeno garante, na entrevista, que os descontos dos salários dos portugueses continuam a ser os mesmos, mas que “para o rendimento que os portugueses têm hoje pagam menos impostos” e isso acontece porque apresentam “muito mais rendimento do que tinham antes”.

“Face ao primeiro trimestre de 2016, o emprego cresceu 370 mil postos de trabalho”, o que representa mais 9% de emprego do que em 2016, explicou o ministro da Finanças. “Os salários médios cresceram entre quatro e cinco por cento neste período e as duas forças conjugadas, fazem com que as contribuições para a Segurança Social cresçam bastante mais do que o PIB”, salientou Centeno. O responsável explicou ainda que a situação é boa, porque o emprego “é a melhor maneira de crescer”.

O presidente do Eurogroup admitiu que “está prevista uma redução da despesa fiscal”, sendo esta previsão de “diminuição de 90 milhões de euros em dois anos”. “É uma pequena margem face ao montante total de benefícios que o país tem”, afirmando que “a mensagem que passa é a da necessidade de repensar os benefícios fiscais no sentido de os tornais mais eficazes”.

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