Centeno: “Não é um projeto de despesismo… não seguirei esse caminho”

Na conferência de imprensa para apresentar o Programa de Estabilidade de 2018-2021, o ministro das Finanças afirmou que as escolhas do Governo estão “a conduzir o país para um porto seguro”.

Cristina Bernardo
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O Programa de Estabilidade para 2018-2022 enviado esta sexta-feira pelo Governo ao Parlamento, que inclui uma revisão em baixa no défice orçamental para este ano e o atingir de um excedente em  2020, representa uma estratégia que rejeita o despesismo, pois este levaria a uma perda de confiança no país,  referiu Mário Centeno.

“Não é um projecto de despesismo. Há uma escolha alternativa, mas é a que conduz a um passado, em que os investidores nos rotulavam de lixo, em que bancos ruiam e com eles a nossa confiança no sistema financeiro. O risco existe e é maior que parece. Não temos memória curta. Eu não seguirei esse caminho”.”, explicou o ministro das finanças em conferência de imprensa, após o Governo ter enviado o Programa de Estabilidade ao Parlamento.

O Governo reviu em baixa a meta do défice orçamental para 2018. Após um saldo negativo nas contas públicas de 0,92% no ano passado, o Executivo inscreveu no PE um objetivo de 0,7% para 2018, abaixo dos 1,1% que referiu no Orçamento do Estado.

Horas antes de ser conhecido o Programa de Estabilidade, o primeiro-ministro garantiu que o Governo não vai mudar políticas ou medidas para reduzir o défice. António Costa respondeu assim às críticas do Bloco de Esquerda e PCP, que acusam o Executivo de não estar a cumprir com os compromissos que assumiu.

O Governo projeta um défice 0,2% em 2019, mas a partir daí espera que haja excedente, que deverá ser de 0,6% em 2020, 1,3% em 2021 e 1,4% em 2022.

Já no que diz respeito à dívida, o Governo espera um recuo dos 125,7% do PIB do ano passado para 122% este ano, 118% em 2019, 115% em 2020 e 107% em 2021.

O forte crescimento económico, aliado a uma diminuição do custo do financiamento num ambiente de política monetária acomodatícia, têm fornecido um contexto favorável à trajetória de diminuição da dívida. A expansão do PIB deverá continuar a apoiar, com o Governo a apontar para um crescimento de 2,3% entre 2018 e 2020, após os 2,7% de 2017. Nos dois anos seguintes, a estimativa deverá de redução de 0,1 pontos percentuais por ano.

 

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