Premium“Centeno não vai deixar uma vida fácil ao sucessor”, alerta porta-voz do PSD para as Finanças

Joaquim Miranda Sarmento, professor universitário e porta-voz do PSD para a área das Finanças, defende que este Orçamento é “eleitoralista e facilitista”, com um “excesso de otimismo” que desprotege o país face aos riscos.

Que leitura política faz do Orçamento para 2019 (OE2019)?

Um OE eleitoralista, a fazer lembrar outros OE com governos do PS (2009 e 1999). O governo usa a bonança económica e fatores temporários, ou seja, receita cíclica, para aumentar a despesa de forma estrutural. Já vimos isto no passado e não correu bem. Que razões temos para acreditar que agora vai correr bem?

O OE2019 marca também o último teste à coesão da solução governativa. Não seria de esperar um aumento da tensão entre o Governo e a esquerda?

Aquilo que vemos é que este OE confirma que as Esquerdas estão cada vez mais iguais e próximas e como o PS está cada vez mais igual ao PCP e BE. Este é um OE dominado pelo eleitoralismo e facilitismo, pelo PCP e BE não porque o PS tenha cedido, mas porque este PS é cada vez mais igual ao PCP e BE. Uma lógica situacionista, sem preocupação de futuro nem capacidade reformista para fazer crescer. O que há é um conjunto de redistribuições eleitorais, sem qualquer rumo, sem capacidade reformista, e sem que se vejam prioridades e estratégia para criação sustentável de riqueza para o País.

O próximo orçamento é apresentado num cenário muito favorável ao Governo, ao registar o défice mais baixo da história da democracia. Este dinamismo é sustentável?

O que temos desde 2015 é uma consolidação orçamental apenas nominal. O défice mais baixo de sempre é ilusório. Metade da consolidação orçamental são fatores temporários. São 2,5 mil milhões de euros entre a redução da despesa de juros (que resulta da política monetária da zona Euro) e o aumento dos dividendos e do IRC do Banco de Portugal e agora da CGD. Depois há uma conjuntura económica de crescimento e redução do desemprego muito favorável. Infelizmente esta é mais uma oportunidade perdida.

O Conselho de Finanças Públicas (CFP) mostra-se mais otimista em relação a 2018, mas menos quanto ao médio prazo. É algo a que devemos estar atentos?

Há uma desaceleração da economia portuguesa, fruto da incerteza internacional e da própria desaceleração da economia europeia, mas também fruto de erros de política económica e da baixa competitividade nacional. O parecer do CFP é muito claro: há um excesso de otimismo para 2019 neste OE. O Doutor Centeno não deixa vida fácil ao seu sucessor como Ministro das Finanças.

 

Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor.

Ler mais
Recomendadas

Governo quer IVA de 6% para jornais e revistas online

Com esta medida, o PS pretende “contribuir para a sustentabilidade económica dos órgãos de comunicação social que fizeram investimentos nos suportes digitais das suas publicações”.

Governo recusa novas mexidas nos escalões de IRS

PCP quer criar oitavo escalão de IRS para os rendimentos mais elevados, a partir de 250 mil euros. Governo diz que alterações em sede de IRS em 2018 se farão sentir no próximo ano e que proposta comunista terá impacto diminuto.

Em direto: ministro das Finanças no parlamento

A audição do ministro das Finanças, no âmbito da apreciação, na especialidade, da proposta de Orçamento do Estado para 2019 decorre esta sexta-feira manhã, no Parlamento.
Comentários