China prepara-se para o pior e aumenta reservas de petróleo

Gigante asiático é o maior comprador de petróleo do mundo e as reservas do ‘Strategic Petroleum Reserve’ aumentaram, este ano, a uma taxa de 95.000 barris por dia, quase 30% mais rápido que em 2017.

REUTERS/Nick Oxford
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A China está a aumentar as reservas estratégicas de petróleo a um ritmo mais rápido do que nos anos anteriores. O gigante asiático estará a precaver-se contra possíveis conflitos internacionais que tornem a matéria-prima mais cara, bem como contra uma agudização da guerra comercial com os EUA, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

O país é o maior comprador de petróleo do mundo e o crescimento das reservas no âmbito do Strategic Petroleum Reserve (SPR) está a aumentar este ano a uma taxa de 95.000 barris por dia, quase 30% mais rápido que no ano passado.

Desde a década de 1970, a China focou-se em criar “o programa estratégico de reservas de petróleo mais ambicioso do mundo”, acrescentam. O ritmo desacelerou nos últimos anos devido a desafios técnicos da região, dificuldades nas instalações subterrâneas e uma menor urgência devido à oferta abundante, mas a tendência inverteu-se este ano.

As reservas estratégicas de petróleo da China atingiram 287 milhões de barris no final de 2017, indicando que o governo chinês completou 57% da meta de um stock de 500 milhões de barris. Em 2015, terminou uma proibição de 40 anos de os EUA exportarem petróleo bruto para a China e, em 2017, em entraram no país asiático 7,65 milhões de toneladas de petróleo norte-americano, mais de 1.400% que ano anterior.

“Se as atuais tensões comerciais entre os EUA e a China aumentarem, e dado que os Estados Unidos são um fornecedor cada vez mais importante para as refinarias chinesas, é possível que o programa SPR ganhe força”, acrescentou a IEA, considerando a hipótese de que a China acelere ainda mais as compras de petróleo antes de as tensões comerciais e geopolíticas elevem o preço do petróleo.

 

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