Choveram milhões neste inverno

Encerrada a janela de transferências nas principais ligas de futebol europeias, na última quarta-feira, o Jornal Económico olha para os números das denominadas "Big Five", e faz uma primeira análise ao defeso de janeiro.

Quando nada fazia prever novos recordes, depois da transferência de Neymar Jr para o Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros, no último mercado de transferências de verão, tornar o brasileiro no jogador mais caro de sempre, eis que no defeso de inverno a “roda dos milhões” continuou. Só em transações nas “Big 5” foram gerados mais de mil milhões de euros (ver infografia).

O ano de 2018 começou com o brasileiro Philippe Coutinho a tornar-se no jogador mais caro de sempre, no mercado de inverno. O avançado de 25 anos foi contratado ao Liverpool FC, da Premier League, por 120 milhões de euros desembolsados pelo FC Barcelona – quantia que poderá aumentar 40 milhões de euros, mediante objetivos. O preço que os culés pagaram pelo jogador superou o recorde anterior, estabelecido no início de 2017 pela ida de Oscar para os chineses do Shanghai SIPG, a troco de 60 milhões pagos ao Chelsea FC.

E se o emblema catalão fez do brasileiro Coutinho o protagonista deste inverno, o Liverpool surpreendeu, dias antes, ao pagar quase 79 milhões de euros ao Southampton FC por Virgil van Dijk. O holandês tornou-se no defesa mais caro de sempre.

Mas a “loucura” e a “febre dos milhões” deste mercado não se ficaram por Coutinho e van Dijk: O Manchester City, que já tinha investido, no verão, quase 140 milhões de euros em três defesas (Danilo, Kyle Walker e Benjamin Mendy) – aos quais se somam ainda os 40 milhões gastos em Ederson (ex-Benfica) -, não hesitou em investir mais 65 milhões no entusiasmante defesa central francês Aymeric Laporte, pagando a cláusula de rescisão ao basco Athletic Bilbao.

Ainda no principal escalão do futebol britânico, destaca-se a troca de jogadores entre o londrino Arsenal FC e o Manchester United. Ainda que a rivalidade entre os dois emblemas dentro e fora das quatro linhas seja notória – veja-se o duelo José Mourinho e Arsène Wenger – os red devils compraram aos gunners o Alexis Sánchez por cerca de 16 milhões, abatendo o valor do chileno com a cedência do médio Henrikh Mkhitarian.

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E com a saída de Sánchez do Arsenal, é compreensível a rápida movimentação dos londrinos ao comprar o avançado gabonês Pierre-Emerick Aubameyang, por 65 milhões de euros, ao Borussia de Dortmund no último dia do mercado de inverno.

E o que dizer do AS Mónaco ter comprado Pietro Pellegri, de 16 anos apenas, aos italianos do Génova? O primeiro jogador nascido no novo milénio a jogar no principal escalão do futebol italiano – Serie A – foi a surpresa do mercado em França.

Nada imprevisível foi o regresso do avançado Diego Costa ao Atlético de Madrid. O emblema treinado pelo argentino Diego Simeone já tinha a contratação acordada com o clube de Roman Abramovich,  desde o verão de 2017, mas só agora é que o internacional espanhol foi libertado, por 66 milhões de euros.

A animar o mercado e afazer correr tinta pela imprensa mundial, esteve o que se poderá chamar de “o rumor da época”. Um alegado descontentamento de Cristiano Ronaldo com a direção do Real Madrid, devido ao “reduzido” salário, em comparação com os vencimentos dos rivais Lionel Messi e Neymar, levou a imprensa espanhola a pôr o internacional português na porta de saída do clube merengue. Para o seu lugar estaria a postos o brasileiro Neymar, do Paris Saint-Germain (PSG). Segundo os media espanhóis, CR7 via com bons olhos um regresso a Manchester, no final desta época, sendo que o negócio com o PSG e Neymar estaria acordado, ainda antes do brasileiro ter saído de Barcelona – o clube parisiense seria apenas uma “ponte” entre a Catalunha e Madrid. Tudo para evitar repetir o cenário pelo qual Lúis Figo protagonizou em 2000.

E Portugal?

O principal escalão do futebol profissonal português, passaria incólume (as transferências em Portugal apenas geraram cerca de 23 milhões) não fosse a corrida entre FC Porto e Sporting CP pela contratação do brasileiro Wendel, de 20 anos. O brasileiro acabou por rumar a Alvalade, com o clube liderado por Bruno de Carvalho a pagar sete milhões de euros ao Fluminense FC. Sem movimentações de vulto entre os ditos três grandes, o destaque deste defeso em terra lusa vai para a tentativa frustrada do SL Benfica em vender Úmaro Embaló, de 16 anos, aos alemães do RB Leipzig.

Em novembro de 2017, o júnior guineense foi falado em Inglaterra, por alegado interesse do Manchester United, chegando a ser apelidado de “novo Di Maria”, embora notícias da sua possível saída só tenham surgido quando Luís Filipe Vieira foi “flagrado” a aterrar em Leipzig. O Benfica queria 20 milhões (cinco seriam por objetivos), mas uma alegada exigência do representante do jogador, Cátio Baldé, em receber uma comissão de 2,5 milhões de euros e um salário que não satisfazia Embaló, levaram o clube alemão a cancelar o negócio.