Cimeira do Conselho Europeu: líderes ‘esqueceram-se’ da reforma do euro

Numa cimeira absolutamente concentrada na imigração, a questão da reforma do euro está consubstanciada numa frase oficial: será discutida em dezembro de 2018, na cimeira correspondente.

O euro está incompleto, já todos o sabiam – precisa de uma união bancária suficientemente firma para poder ter esse nome, dizem os mais cínicos, de um orçamento anticrise e de um ativo livre de risco (os chamados eurobonds), que aguente a próxima crise (aquela que todos dizem que aí vem sem lhe conseguir descobrir o rasto) – mas a Cimeira do Conselho Europeu foi, segundo os jornais que ali marcaram presença, incapaz de lançar as bases do que falta.

Há cinco anos que a Alemanha e outros países credores (como a Holanda) vêm exigindo ajustes e a redução de riscos macroeconómicos aos países devedores e a reforma do euro não sai do papel.

“A única coisa que realmente avança depois da Cimeira é o apoio fiscal do fundo de resolução dos bancos, para evitar que haja um choque financeiro quando as autoridades bancárias decidirem fechar um banco” que tenha capacidade de ‘envenenamento’ do sistema envolvente, afirma o espanhol ‘El Pais’.

Quanto ao mais, a Cimeira serviu para ‘chutar’ para o futuro as reformas necessárias: o plano para fortalecer o mecanismo de resgate, o plano que permite iniciar o fundo comum de garantia de depósitos, e o plano para a criação de um orçamento anticrise da zona do euro (que nem sequer aparece explicitamente mencionado nos documentos finais), são alvos a prosseguir. Aparentemente, na próxima cimeira – dado que nesta não aconteceu nada, a não ser 14 esgotantes horas de debate sobre imigração.

Os líderes da União Europeia reunidos em Bruxelas simplesmente concordam em “trabalhar num roteiro para iniciar as negociações políticas do fundo de garantia de depósitos”. Para quem quer uma reforma do euro para o adaptar ao aprofundamento da união, parece pouco.

O orçamento anticrise também marcou passo, possivelmente porque a Holanda lidera um grupo de 12 países que se opõe ferozmente a esta opção, embora Berlim e Paris tenham lançado há poucos dias a ideia de um seguro de desemprego europeu. “A cimeira do euro voltará a esses assuntos em dezembro de 2018”, refere, talvez demasiado laconicamente, o documento final emanado da Cimeira do Conselho Europeu.

Os críticos (não os eurocéticos, os outros) consideram que quanto mais tempo os líderes da União Europeia perderem tempo, mais o agregado fica vulnerável à próxima crise – que pode misturar o aumento do preço do petróleo com as novas tarifas aduaneiras norte-americanas, num ‘bolo’ onde se junta um crescimento ainda demasiado tímido, um sistema financeiro cuja única preocupação é o excesso regulatório e a precaridade geral do emprego.

Como vem nos livros, em tempo de crise são os mais pobres que sofrem – o que, em termos europeus, quer dizer que os países credores vão voltar a ter todos os motivos para chamar desleixados (entre outros epítetos costumeiros mas mais grosseiros) aos países gastadores do sul.

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