CNN destaca empresário do Alentejo que manteve todos os trabalhadores no hotel

Pedro Franca Pinto, fundador e CEO da Craveiral Farmhouse, conseguiu que a unidade hoteleira continuasse operacional apesar da pandemia de Covid-19, mas viu-se obrigado a rever as previsões de crescimento para 2020 e 2021. “O facto de não nos considerarmos apenas um projeto de turismo, mas sim um projeto emocional com componentes de turismo, agricultura, gastronomia e turismo de experiências, facilita a nossa decisão”, explica ao Jornal Económico.

Martin Kaufmann

O empresário português Pedro Franca Pinto está a fazer ‘correr tinta’ na imprensa internacional pelo exemplo de resiliência que pode dar ao setor hoteleiro, um dos mais afetados pela crise provocada pela pandemia de Covid-19. O fundador e CEO da Craveiral Farmhouse, no Alentejo, manteve os 22 postos de trabalho (com redução de 2 horas diárias no horário dos funcionários) e conseguiu que todos se disponibilizassem a fazerem tarefas fora do âmbito das suas funções, como jardinagem, manutenção, entrega de refeições, entre outras.

“A manutenção dos postos de trabalho é possível com o apoio do acionista, da Caixa de Crédito Agrícola de São Teotónio, dos trabalhadores que demonstraram uma flexibilidade extraordinária e de termos presente que não se trata de um prejuízo mas sim de uma valorização do projeto Craveiral Farmhouse por estarmos a aplicar os nossos princípios”, explicou o gestor ao Jornal Económico (JE).

À parte a recusa do lay-off total e a continuidade das operações, foi também o trabalho em prol da comunidade que surpreendeu a estação de televisão norte-americana CNN e a jornalista Debbie Pappyn, da rádio britânica Monocle 24. Seguindo as recomendações da DGS para os estabelecimentos turísticos, este empreendimento de turismo na natureza colocou ao dispor das autoridades e dos locais as 38 casas isoladas que o constituem para cuidados profiláticos, quarentenas obrigatórias e hospitalização domiciliária. A equipa da Craveiral Farmhouse está ainda a distribuir a uma autoridade local seis refeições por dia desde a declaração do Estado de Emergência em Portugal, a 18 de março.

Pedro Franca Pinto detalhou esta iniciativa ao jornalista Richard Quest, na rubrica “Voices of the Crisis”, do programa “Quest Means Business”. Ao JE, admite que o modelo não ser aplicável a todo o setor hoteleiro devido às especificidades do negócio, como a dimensão e o número de trabalhadores, bem como do local onde se insere.

“O facto de não nos considerarmos apenas um projeto de turismo, mas sim um projeto emocional com componentes de turismo, agricultura, gastronomia e turismo de experiências, e de se tratar de um projeto de vida que estará sempre em desenvolvimento, facilita a nossa decisão”, refere o gestor. No entanto, compreende a posição de encerrar os estabelecimentos, porque “em muitas situações, poderá ser a forma de preservar postos de trabalho no futuro”.

As quatro famílias que estavam lá alojadas no início de março optaram por ficar, tendo começado a receber os pequenos-almoços e as refeições à porta, para garantir o distanciamento social. O restaurante Craveiral Pizzeria ComVida by In Bocca al Lupo passou a fazer entregas ao domicílio e conta cerca de 200 pizzas vendidas.

Localizado na vila de São Teotónio, perto da Zambujeira do Mar, a Craveiral Farmhouse faturou 900 mil euros no ano passado e previa fechar 2020 com um volume de negócios de 1.400.000 euros e, no ano seguinte, 1.800.000 euros. No entanto, a pandemia fez com que as previsões revistas fossem revistas em baixa, para 700 mil euros e 1.400.000 euros, respetivamente. O hotel está receber reservas para os meses de julho e agosto.

Ler mais
Recomendadas

Acionistas privados da Efacec satisfeitos com nacionalização da empresa

O Grupo José de Mello e a TMG – Têxtil Manuel Gonçalves, que detêm cerca de 28% do capital da Efacec, mostram-se disponíveis para “contribuir para um futuro sustentável” da empresa.

Nacionalização da Efacec: “Consequência de impensadas e desnecessárias atuações judiciárias portuguesas”, reage advogado de Isabel dos Santos

Desta forma, e de acordo com posição avança pela “SIC”, o advogado de Isabel dos Santos referiu a operação hoje conhecida é “consequência de impensadas e desnecessárias atuações judiciárias portuguesas, cuja invalidade a seu tempo será decidida”.

Marcelo promulga nacionalização da Efacec mas enfatiza “natureza transitória” da operação

De acordo com este comunicado, Marcelo Rebelo de Sousa dá ênfase ao acordo dos restantes acionistas privados, a natureza transitória da intervenção (tal como foi enfatizado pelo ministro da Economia, Pedro Siza Vieira em conferência de imprensa), assim como a abertura simultânea de processo de reprivatização da posição agora objeto de intervenção pública”.
Comentários