“Coletes amarelos”: Torre Eiffel e Louvre vão estar fechados este fim de semana

Protestos dos coletes amarelos e ameaça de entrarem no Eliseu levam Governo francês a montar operação de segurança extrema: museus fechados, eventos adiados e milhares de polícias nas ruas. O Governo desaconselha os portugueses a viajar este sábado para Paris.

Anadolu Agency | Getty Images

A violência em Paris nos últimos dias levou a um reforço de segurança na região, mas só depois de Enric Drouet, um dos líderes do movimento ‘coletes amerelos’ em França, ter prometido esta quarta feira, no canal BFMTV, que o próximo passo da revolução seria ”entrar no Eliseu” é que a capital foi forçada a tomar medidas extremas. Esta frase fez soar as campainhas de alarme e obrigar a capital francesa a um reforço da segurança e da vigilância policial.

Entre o conjunto de medidas estão os 89 mil agentes de segurança destacados para estar nas ruas de todo o país, 8 mil deles em Paris. Além disso, vão estar a circular, por toda a região de Paris, 12 viaturas blindadas, 4×4 de 13 toneladas cada, algo que não acontecia desde a contestação nos arredores de Paris em 2005. Monumentos como o Museu do Louvre, a Torre Eiffel, o Museu d’Orsay, o Jardim Botânico, o Petit e o Grand Palais, o Museu de Arte Moderna, a casa de Victor Hugo ou a cripta da Ile de la Cité vão estar fechados. A Opera de Paris, e o Palácio Garnier também vão cancelar apresentações.

Cinco jogos do campeonato nacional de futebol serão adiados; festas natalícias e solidárias foram canceladas e uma marcha sobre questões climáticas foi forçada a mudar de rota.  O governo francês vai reforçar o dispositivo de segurança por parte das forças que estão atualmente em patrulhas anti-terroristas no país, com o objetivo de proteger os edifícios públicos. Os comerciantes de todas as lojas dos Campos Elísios foram aconselhados a tapar as montras com painéis de proteção e a retirar todos os objetos exteriores que possam ser mais vulneráveis. Os transportes também vão sofrer perturbações.

O Arco do Trinfo, que se situa no topo da avenida mais emblemática de Paris, foi palco dos maiores momentos de tensão e confrontos entre manifestantes e polícia no último sábado, 1 de dezembro. “Não tenho nenhum problema em admitir que em tal ou tal questão poderíamos ter feito diferente, e que se ainda houver tanta raiva é porque ainda temos muitas coisas para melhorar”, disse Emmanuel Macron, numa conferência de impresa, esta semana. Apesar de o presidente francês ter concordado em cancelar o aumento de impostos, a razão pela qual começaram as manifestações, os protestos voltam este fim de semana – pelo que o Governo já desaconselhou os portugueses a viajar este sábado para Paris.

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