Com a Raize, o ‘crowdfunding’ entra em bolsa

Para os fundadores, a injeção de capital representa o incentivo necessário para que a Raize atinja os primeiros resultados positivos já no próximo ano.

A banca de investimento em Portugal teve uma boa notícia quando, no passado dia 15 de junho, os fundadores da Raize, juntamente com alguns dos seus principais acionistas, anunciavam que se preparavam para colocar à disposição 750 mil ações da premiada empresa. O Haitong Bank apressou-se para assegurar a coordenação da OPV, enquanto que o Banco Best e o ActivoBank foram escolhidos como responsáveis pela colocação das ações.

Qual a razão do sucesso da sua atividade?

A Raize junta o simples ao inovador. Fundada em 2013, a sua atividade resume-se em gerir uma plataforma que junta investidores a PME e startups. Especialmente atrativa para pequenos investidores, conseguiu desde cedo explorar uma solução prática e alternativa de investimento para o seu público-alvo, numa altura em que os produtos financeiros mais utilizados pela população portuguesa (depósitos a prazo, certificados de aforro e obrigações) se encontram na fase menos atrativa dos últimos anos (com a Euribor a 6 e 12 meses negativa). Os três tipos de financiamento que a Raize oferece resumem-se a: “Empréstimos a PME” (cobra às sociedades financiadas cerca de 3,7% sobre os empréstimos), “Financiamento de Startups” e “Adiantamento de faturas”.

Uma boa gestão de risco, tesouraria e uma solução de investimento atrativa para os seus clientes permitiu à Raize obter um track record de 15,5 milhões de euros financiados a PME, mas ainda assim, foi incapaz de apresentar um resultado líquido financeiro positivo, com um prejuízo acumulado de 80 mil euros nos últimos dois anos, e com um Capital Próprio estimado em cerca de 550mil euros.

A OPV da Raize: Euronext Access

Euronext Access é um nome ainda desconhecido para os investidores mais desatentos. O mais recente “Exchange Market” destinado a startups e pequenas empresas foi o mercado escolhido pela Raize – e também o único onde cumpre os requisitos mínimos de admissão – para dispersar capital em bolsa já no próximo dia 18 de julho.

A OPV decorreu até dia 15 de julho, com cada uma das 750 mil ações (15% do capital) a serem vendidas por 2 euros cada, o que avalia a empresa em dez milhões de euros. Nos próximos meses, serão ainda colocadas à venda até 500 mil ações, com preços entre 2,20 e 4 euros.

Olhando para os resultados financeiros e ativo da empresa, não é difícil concluir que esta é uma avaliação, no mínimo, excessiva. No entanto, não parece ser essa a opinião dos pequenos investidores, e a prova disso é a pequena empresa ter já garantido o dobro da procura em relação à oferta no rateio de ações desta OPV. O crowdfunding prossegue o seu caminho de sucesso e a Raize é hoje vista em Portugal como a empresa líder no mercado.

Com a concorrência afastada e a imensa procura de ações, a Raize tenderá a valorizar-se ainda mais nos primeiros meses em negociação, e, segundo os seus fundadores, a injeção de capital representa o incentivo necessário para que a Raize atinja os primeiros resultados positivos já no próximo ano, e comece a distribuir dividendos em 2020.

Recomendadas

Missão: proteger o emprego de Portugal

Com o esforço de todos, estamos a conseguir ultrapassar esta grave crise de saúde pública que surgiu de forma tão repentina e intensa, e que alterou por completo a nossa vida e a vida de todas as empresas, instituições e atividades económicas

Da cepa torta à boa nova

Alguns podem detetar algo de gastronómico no título deste artigo. Têm e não têm razão.

Quo vadis, Justitia?

Para onde vai a Justiça? Esta é uma pergunta que, amiúde, muitas pessoas se colocam.
Comentários