Comércio “altamente” dependente de flutuações de preços do petróleo

Um aumento do preço do petróleo resulta numa deterioração das trocas comerciais e numa diminuição do poder de compra das famílias, segundo estudo publicado no ‘Economic Bulletin Issue’ do BCE.

Sergei Karpukhin/Reuters

As trocas comerciais a nível global oscilam consoante a variação dos preços do petróleo, ainda que esta variação possa oscilar em maior ou menor grau consoante o número de produtos não energéticos. As conclusões são do artigo “Oil prices, the terms of trade and private consuption”, publicado esta segunda-feira no Economic Bulletin Issue pelo Banco Central Europeu (BCE).

O artigo desenvolvido por Nikola Bokan, Maarten Dossche e Luca Rossi conclui que “as condições de comércio da zona euro estão altamente correlacionados com os preços do petróleo”. Neste sentido, identifica que um aumento do preço do petróleo resulta numa deterioração das trocas comerciais e numa diminuição do poder de compra das famílias.

Os autores explicam que o preço do petróleo afecta o consumo privado através de meios diretos e indiretos. Assim, um aumento nos preços do petróleo tem um impacto direto no poder de compra através do aumento do preço dos produtos de energia cuja matéria-prima seja essencial, tais como a gasolina ou óleo para dispositivos de aquecimento.

“Na zona euro, cerca de um terço do consumo total de petróleo na economia é sob a forma de consumo final, ou seja, a utilização pelos consumidores desses produtos. Os outros dois terços de consumo são do petróleo utilizado na produção de bens não energéticos”, explicam os autores, acrescentando que “um aumento nos preços do petróleo implica um aumento nos custos de produção desses setores. Se esses custos não puderem ser diluído para os preços finais desses bens, haverá um impacto indireto no poder de compra das famílias, uma vez que os salários ou lucros recebidos desses setores serão menores”.

Segundo as conclusões dos autores, para as economias avançadas que produzem petróleo, como é o caso do Canadá, Noruega, Reino Unido e Estados Unidos, “os efeitos indiretos através de salários e lucros do setor produtor de petróleo são ainda mais importantes”, realçam.

Fonte: Economic Bulletin Issue 6, 2018, BCE
Recomendadas

“Vamos assistir à terceirização do e-commerce”, afirma presidente da ACEPI

O presidente da ACEPI, Alexandre Nilo Fonseca, considera que o ramo alimentar, “que até agora tem estado um bocadinho afastado do digital”, vai assistir a uma evolução no comércio ‘online’.

União Europeia facilita compras digitais mas Portugal falha prazo

“A Comissão está a acompanhar de perto a situação e em breve decidiremos as próximas medidas para garantir que todos os Estados-membros cumprem as suas obrigações”, diz Nathalie Vandystadt, porta-voz de Bruxelas.

Governo de Angola espera recessão de 1,7% em 2018

Ministro da Economia e Planeamento angolano referiu que depois de contrações de 2,6% e 0,1% em 2016 e 2017, respetivamente, a economia angolana deve ter aprofundado a queda no ano passado.
Comentários