Comércio garante 36 milhões de postos de trabalho na União Europeia

Dois novos estudos publicados, nesta terça-feira, 27 de Novembro, pela Comissão Europeia revelam a importância crescente das exportações da UE para as oportunidades de emprego dentro e fora da Europa.

As exportações da União Europeia (UE) para o resto do mundo são hoje mais significativas do que nunca, justificando 36 milhões de postos de trabalho em toda a Europa, ou seja, mais dois terços do que em 2000, revela um estudo da Comissão Europeia, destacando que 14 milhões destes postos de trabalho são ocupados por mulheres. Segundo Bruxelas, as exportações da UE para o resto do mundo geram 2,3 mil milhões de euros de valor acrescentado na UE.

“Desde o início da atual Comissão em 2014, o número de postos de trabalho que dependem das exportações aumentou 3,5 milhões. A remuneração destes postos de trabalho é, em média, 12% superior à do resto da economia”, adianta o estudo da CE.

Para Cecília Malmström, a comissária europeia responsável pelo Comércio, este estudo “mostra claramente que o comércio é sinónimo de emprego”. Esta responsável frisa que as exportações da UE para o resto do mundo garantem os meios de subsistência de “um vasto e crescente número de cidadãos” em toda a Europa e dá conta que quase 40% dos postos de trabalho que dependem do comércio são ocupados por mulheres.

Segundo Cecília Malmström , o comércio da UE também contribui para milhões de postos de trabalho muito além das suas fronteiras, incluindo nos países em desenvolvimento. “Tal mostra também que o comércio pode ser benéfico para todas as partes: o que é bom para nós também é bom para os nossos parceiros em todo o mundo”, acrescenta.

O relatório hoje publicado, no Dia Europeu da Política Comercial, inclui fichas informativas detalhadas sobre os resultados de cada Estado-membro da UE. As exportações criam e mantêm postos de trabalho em toda a UE e os números estão a aumentar. Os maiores aumentos registaram-se desde 2000 na Bulgária (mais 312%), República Eslovaca (mais 213%), Portugal (mais 172%), Lituânia (mais 153%), Irlanda (mais 147%), Estónia (mais 147%) e Letónia (mais138%).

Os números revelados nesta terça-feira realçam o importante efeito das exportações para o resto do mundo.

Bruxelas destaca que quando os exportadores de um Estado-membro da UE conseguem bons resultados, os trabalhadores de outros Estados-membros também retiram benefícios desses resultados. Tal deve-se, realça, ao facto de as empresas que fornecem bens e serviços ao longo da cadeia de abastecimento também beneficiarem quando os seus consumidores finais vendem o produto final num país estrangeiro. A CE exemplifica aqui que as exportações francesas para o resto do mundo justificam cerca de 627.000 postos de trabalho noutros Estados-membros.

Empregos para fora da UE mais do duplicam

O estudo revela ainda que as exportações da UE para o resto do mundo justificam quase 20 milhões de empregos fora da UE. Estes empregos mais do que duplicaram desde 2000. Segundo a Comissão Europeia, mais de um milhão de postos de trabalho nos Estados Unidos dependem da produção de bens e serviços norte-americanos que são incorporados nas exportações da UE através das cadeias de abastecimento mundiais.

O estudo analisa igualmente a distribuição dos postos de trabalho entre homens e mulheres, concluindo que existem na UE quase 14 milhões de mulheres em empregos que dependem do comércio.

Recorde-se que Bruxelas identificou a política comercial como um elemento essencial da Estratégia 2020 da União Europeia.

“Tendo em conta a rápida evolução da economia mundial, importa mais do que nunca compreender plenamente a forma como o comércio afeta o emprego. Tal só é possível através da recolha e análise de uma informação exaustiva, fiável e comparável, que possa servir de base para a elaboração de políticas informadas”, sublinha.

Nesse sentido, o Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia e a Direção-Geral do Comércio da Comissão elaboraram em conjunto uma publicação que pretende ser uma ferramenta “valiosa” para os decisores políticos e investigadores no domínio do comércio.

Em consonância com a primeira edição de 2015, o relatório fornece indicadores que ilustram em pormenor a relação entre o comércio e o emprego no conjunto da UE e em cada Estado-membro, utilizando a nova «World Input-Output Database» para o ano de 2016 como principal fonte de dados. Esta informação foi complementada através de dados sobre o emprego por idade, qualificações e sexo. Todos os indicadores relacionados com as exportações UE para o resto do mundo refletem o âmbito das políticas da UE.

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