Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa admite greve mas ainda acredita em acordo sobre horários

O líder da Comissão de Trabalhadores criticou ainda Mira Amaral. “Tenho ouvido algumas declarações, até de pessoas que já tiveram responsabilidades no nosso país, dizendo que a fábrica poderá vir a ser deslocalizada para Marrocos. Uma declaração destas é, no mínimo, irresponsável”, disse.

Luis Viegas
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A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa reconheceu hoje que não há acordo com a administração da empresa sobre os novos horários e não excluiu a possibilidade de greve, mas reafirmou a convicção de que ainda é possível um entendimento.

“Vamos avaliar toda a situação e depois os trabalhadores irão decidir o que vamos fazer. A greve é sempre a última coisa que nós fazemos. Temos de esgotar todas as possibilidades, algumas já foram esgotadas, mas eu acredito que ainda é possível reverter a situação”, disse hoje aos jornalistas Fernando Gonçalves, acrescentando que a empresa não devia castigar os trabalhadores por terem rejeitado os pré-acordos.

“Os trabalhadores não têm de ser castigados por terem uma opinião diferente da opinião da administração. Nós achamos, como Comissão de Trabalhadores, que devia ter sido, pelo menos, implementado tudo aquilo que tinha sido decidido para a primeira parte do ano e não castigar os trabalhadores, retirando-lhes o prémio, retirando-lhe 175 euros de prémio, cinco minutos de sobreposição da mudança de turnos, dez minutos de intervalo e mais 25% (pelo trabalho aos sábados) que seriam pagos no âmbito do pré-acordo, e que agora só será pago ao fim de três meses, se a produção atingir os números que a administração pretende”, acrescentou.

Na opinião do representante dos trabalhadores da Autoeuropa, a administração da empresa deveria, pelo menos, ter implementado o pré-acordo que tinha negociado com a atual Comissão de Trabalhadores, apesar de o mesmo ter sido rejeitado por larga maioria dos funcionários da fábrica de automóveis de Palmela.

“Quando se rejeita um pré-acordo, o que se faz é tentar melhorá-lo, mas a administração não quis”, disse.

Apesar das críticas que faz à atual administração da Autoeuropa, Fernando Gonçalves congratulou-se com o reinício das negociações sobre os novos horários.

“Nas reuniões que efetuámos esta semana, além desta tomada de posição relativamente (aos horários) à primeira parte do ano, encetámos também a discussão do caderno reivindicativo, portanto, do aumento salarial”, disse Fernando Gonçalves.

O responsável adiantou que nos próximos dias os trabalhadores também vão ser consultados sobre o esquema de rotação dos horários que pretendem”, uma das matérias relacionadas com os novos horários em que, segundo a Comissão de Trabalhadores, parece haver disponibilidade da administração da Autoeuropa para negociar.

Fernando Gonçalves disse ainda que as negociações prosseguem já na próxima semana, com reuniões agendadas para quarta e sexta-feira, e que o resultado dessas reuniões será comunicado aos trabalhadores em plenários a realizar na semana seguinte.

Quanto à polémica sobre o pagamento do trabalho aos sábados no horário transitório que entra em vigor no final deste mês, Fernando Gonçalves diz que a empresa pretende pagar esses dias como trabalho normal e não como trabalho extraordinário, ao contrário do que tem dito aos jornalistas e aos trabalhadores.

“Essa situação vai ficar patente no recibo do ordenado de fevereiro”, disse, convicto de que só nessa altura será possível comprovar que a empresa não irá pagar os sábados como trabalho extraordinário.

Na conferência de imprensa improvisada, que decorreu junto ao portão de entrada dos trabalhadores da Autoeuropa, Fernando Gonçalves criticou os autores de alguns comentários que alertam para o perigo de deslocalização da fábrica de automóveis da Volkswagen de Palmela.

“Tenho ouvido algumas declarações, até de pessoas que já tiveram responsabilidades no nosso país [Mira Amaral], dizendo que a fábrica poderá vir a ser deslocalizada para Marrocos. Uma declaração destas é, no mínimo, irresponsável”, disse.

“Esta fábrica nunca irá sair dali. É muito simples: esta fábrica tem um departamento de prensas e isso quer dizer que nós batemos chapa para todas as fábricas do grupo Volkswagen”, concluiu o coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa.

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