Comité de ética da NOS chama administradores visados no Luanda Leaks

Jorge Brito Pereira, presidente do conselho de administração e advogado de Isabel dos Santos, Paula Oliveira e Mário Leite da Silva vão ser ouvidos a 27 de janeiro, avança o Jornal de Negócios.

Os três administradores não executivos da NOS envolvidos no Luanda Leaks foram chamados pelo Comité de Ética e pela Comissão de Governo Societário da empresa de telecomunicações, avança o Jornal de Negócios.

Jorge Brito Pereira, presidente do conselho de administração e advogado de Isabel dos Santos, Paula Oliveira e Mário Leite da Silva. Os três vão ser ouvidos na próxima segunda-feira, 27 de janeiro.

A decisão foi tomada na reunião do conselho de administração que teve lugar na terça-feira ao final do dia, convocada com o propósito de debater as implicações do Luanda Leaks para a companhia de telecomunicações.

Isabel dos Santos está presente na NOS através da ZOPT que detém 52,15% da empresa de telecomunicações. A ZOPT é uma sociedade detida pela Sonaecom, do grupo Sonae, e pela Kento Holding Limited, controlada pela empresária angolana.

Analisando as implicações do Luanda Leaks para a NOS, os analistas do Caixabank/BPI apontam que a Sonae pode vir a repensar a sua parceria com Isabel dos Santos na companhia de telecomunicações.

“Não excluímos o cenário em que a Sonae repensa a sua parceria com Isabel dos Santos na ZOPT, o que pode levar a algumas alterações na governação da empresa”, segundo a nota do Caixabank/BPI publicada na terça-feira.

No entanto, os analistas destacam que a equipa de gestão da NOS foi recentemente eleita. “Não antecipamos nenhuma grande mudança que podia interromper as operações das empresas”, afirmam, na nota a que o Jornal Económico teve acesso.

O Caixabank/BPI aponta que as preocupações da Sonae devem-se a “questões reputacionais e a possíveis sentimentos negativos por parte dos investidores em relação à NOS devido às notícias recentes” sobre o Luanda Leaks.

Depois das revelações sobre os negócios e operações da empresária, a Sonae veio a público na segunda-feira dizer que “está a acompanhar a situação com atenção e preocupação, sobretudo dadas as alusões feitas a vários membros não executivos do Conselho de Administração da sua participada NOS”.

“Os órgãos competentes da sociedade estão a avaliar a situação de forma rigorosa e com sentido de urgência. A NOS sempre se pautou por regras de governo societário exigentes, que vêm sendo estritamente cumpridas e continuarão a sê-lo”, segundo o comunicado.

A investigação levada a cabo pelo International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) que contou com a participação de 36 meios de comunicação social de 20 países expôs os negócios realizados pela empresária Isabel dos Santos.

Fruto desta colaboração, o caso Luanda Leaks fez várias revelações a partir de 715 mil documentos que foram obtidos inicialmente pela Plataforma para Proteger Denunciantes em África (PPLAAF, na sigla original) que os partilhou com o ICIJ. Em Portugal, o consórcio ICIJ é integrado pelo jornal Expresso e a televisão SIC.

Caixabank/BPI aponta que Sonae pode vir a repensar a sua parceria com Isabel dos Santos na NOS

Ler mais
Relacionadas

Luanda Leaks: BE/Porto pede retirada de medalha a Sindika Dokolo, câmara lembra aprovação unânime

O BE vai pedir à Assembleia Municipal do Porto a retirada da medalha de mérito a Sindika Dokolo, cuja atribuição, lembra a câmara, foi “unanimemente aprovada” em reunião do executivo, pela realização de uma “importante” exposição.

Do arresto dos bens aos ‘Luanda Leaks’. Como têm sido os últimos dias de Isabel dos Santos

A empresária, filha do antigo Presidente angolano José Eduardo dos Santos, já tinha sido acusada pela justiça angolana, no final do ano passado, de celebrar negócios com o Estado através de empresas públicas. Conheça a cronologia dos acontecimentos dos últimos dias.

Luanda Leaks: Mário Leite da Silva está de saída do Banco Fomento de Angola

O português, braço direito da filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, e também implicado na investigação jornalística ‘Luanda Leaks’, assumiu o cargo em janeiro de 2017, após a assinatura do acordo de compra de 2% do BFA pela Unitel, sendo eleito para o triénio 2017-2019.

Luanda Leaks: Inspeção do Estado vai “a qualquer momento” fazer auditoria à Sonangol

A Inspeção-Geral da Administração do Estado (IGAE) angolana assegurou hoje que “a qualquer momento” vai fazer uma auditoria à Sonangol, mas caso receba qualquer análise da petrolífera vai “avaliar se a mesma corresponde aos pressupostos técnicos e legais”.

“Investimento angolano é bem-vindo, com legalidade”, diz Marcelo

Presidente da República foi desafiado a comentar as revelação dos ‘Luanda Leaks’ e falou sobre o investimento angolano.

Líder de fiscalidade da PwC abandona cargo devido ao Luanda Leaks

Jaime Esteves, que se vai manter na empresa, diz que a seriedade das acusações não lhe permite continuar a liderar a equipa. Acrescenta que não sai pelo trabalho que fez desde 2009, mas por ter estado à frente de um departamento que está agora sob investigação.
Recomendadas

Processos de insolvência e reestruturação: os conselhos dos especialistas para os gestores

Associações, consultores e advogados propõem repensar os modelos de negócio e investir na digitalização, e alertam para a necessidade de transposição da diretiva sobre os regimes de reestruturação preventiva, perdão de dívidas e inibições. mariana Bandeira

DCIAP vai analisar auditoria ao Novo Banco

A auditoria da Deloitte aos atos de gestão do BES/Novo Banco entre 2000 e 2018, classificada como confidencial, já está na PGR. O Governo justificou o envio do relatório devido às matérias em causa no período abrangido que coincide com aquele a que respeitam processos criminais e à necessidade de salvaguardar os interesses financeiros do Estado. Documento seguiu para o DCIAP com vista a “análise e sequência”, diz PGR.

Presidente da Ryanair diz que apoio à TAP é “escandaloso”

A companhia irlandesa apresentou, para já, seis processos contra as ajudas às transportadoras aéreas europeias. Eddie Wilson acredita que “a capitalização da TAP vai ser o maior desperdício de dinheiro de sempre em Portugal e não fazer nada para criar mais rotas e conectividade”.
Comentários