Como vai funcionar o novo incentivo fiscal para a inovação social

A aprovação desta norma torna Portugal “no segundo país do mundo a criar incentivos fiscais de apoio a Títulos de Impacto Social”, explicou ao Jornal Económico a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques.

O Parlamento aprovou um benefício fiscal, no Orçamento do Estado para 2018, que incentiva o investimento em inovação social, através dos chamados de Títulos de Impacto Social (TIS). A aprovação desta norma torna Portugal “no segundo país do mundo a criar incentivos fiscais de apoio a Títulos de Impacto Social”, explicou ao Jornal Económico a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques.

Com este novo incentivo fiscal, a partir de 2018, todos os fluxos financeiros que as empresas invistam em TIS passam a ser reconhecidos, em sede de IRC, como gastos desse exercício com majoração de 130%, um valor semelhante ao atualmente previsto para donativos e mecenato. Veja como vai funcionar, segundo um comunicado do Governo.

O que é um Titulo de Impacto Social?
Os TIS são um dos quatro instrumentos de financiamento da Iniciativa Portugal Inovação Social cujas verbas são asseguradas a 85% pelo Fundo Social Europeu (FSE), através de Programas Operacionais do Portugal 2020. Os TIS visam apoiar e financiar através de um mecanismo de pagamento por resultados, projetos inovadores orientados para ganhos de eficiência na prestação de serviços públicos e de resolução de problemas sociais.
Os projetos aprovados são validados previamente pela entidade responsável pela política pública setorial e integralmente financiados por investidores sociais. Se os resultados sociais contratualizados foram alcançados, os investidores são reembolsados.
Assim, nos TIS, o pagamento integral dos custos do projeto por parte do Estado só acontece se forem alcançados os objetivos inicialmente aprovados na candidatura. O risco de insucesso está por isso do lado dos investidores sociais que suportam inicialmente os custos necessários à implementação do projeto. Podem ser investidores sociais, empresas privadas, Fundações e Associações, bem como consórcios de várias destas entidades.
Que verbas estão disponíveis através do Portugal Inovação Social?
A Portugal Inovação Social prevê um investimento 20M€ no apoio de TIS até 2020. São 15M€ para projetos de inclusão social e emprego e 5M€ em projetos na área da educação. Foram já aprovados 3 projetos num total de 1,5M€, estando já aberto um concurso na área de educação de 5M€, abrindo em breve um outro aviso de 5M€ na área da inclusão social e emprego.
Quais são os projetos de TIS já apoiados pelo Portugal Inovação Social?
O Projeto da Academia de Código desenvolveu uma metodologia eficaz de formação intensiva em programação para jovens desempregados de todas as proveniências formativas, conseguindo alcançar taxas de empregabilidade muito significativas
O Projecto Família é um projeto de inovação social que promove uma metodologia, reconhecida internacionalmente pela sua eficácia, na prevenção da institucionalização de crianças e jovens em risco.
O Projeto Faz-Te Forward é um projeto que tem como principal objetivo aumentar a empregabilidade e a inclusão socioprofissional de jovens NEET (que não estão em emprego, educação ou formação) ou estudantes finalistas à procura do 1º emprego, particularmente em situação de maior vulnerabilidade, residentes na AMP (Área Metropolitana do Porto), através de um programa de capacitação intensivo e personalizado que inclui formação, coaching e mentoria e irá abranger, ao longo de 3 anos, 150 jovens, em 5 edições/grupos.
O que tem o Estado a ganhar com os TIS?
Por um lado é dado um estímulo à experimentação de soluções que sejam promissoriamente mais eficientes na resolução de problemas sociais, com o risco dessa experimentação a ficar do lado do investidor social. Se a execução dos projetos confirmar os resultados previstos, estas novas soluções podem futuramente ser adotadas pela Administração Pública e por entidades da Economia Social. Neste âmbito é igualmente estimulada a adoção de uma cultura de experimentação e de inovação dentro da Administração Pública, que tem sido uma das prioridades deste executivo.
Por outro lado é fomentada a parceria entre entidades da Administração Pública (que definem as prioridades de política pública para intervenção destes projetos), entidades implementadoras das soluções inovadoras (geralmente entidades da economia social, conhecedoras dos problemas e que ficaram responsáveis pela concretização dos projetos e a dos resultados contratualizados) e os investidores sociais (que financiam inicialmente o projeto).
Por fim, é ensaiada uma nova lógica de investimento pública baseada no pagamento em função de resultados mensuráveis e não no financiamento da capacidade instalada. O primeiro TIS realizado em Portugal foi a Academia de Código Júnior testada pela Camara Municipal de Lisboa entre 2014 e 2016. Neste piloto ficou comprovado que após o ensino a crianças do 1º ciclo de noções básicas de código e de resolução de desafios relacionados com programação, existiram melhorias no aproveitamento escolar em disciplinas como Português e Matemática. Neste momento está a ser preparada a replicação deste projeto noutros pontos do país com o apoio da Direção Geral de Educação.
O que têm os financiadores a ganhar com os TIS?
Entidades como Fundações e empresas privadas, já canalizam verbas para ações de mecenato e filantropia, nem sempre com acompanhamento e avaliação do impacto social produzido.
Os TIS são uma oportunidade de dirigir verbas para projetos alinhados com prioridades de política pública na resolução de problemas sociais, cuja medição de impacto do investimento é condição essencial.
Este novo benefício fiscal é um pequeno incentivo para estimular o envolvimento das empresas portuguesas no desenvolvimento de soluções inovadoras para a resolução de problemas sociais.
Em caso de sucesso, os financiadores do projeto serão reembolsados pelas verbas despendidas, podendo aplicá-las no mesmo projeto para permitir o seu crescimento, ou no financiamento de outras soluções.

Recomendadas

Investimento de 50 milhões vai permitir ao Alqueva ter o maior projeto fotovoltaico flutuante da Europa

Esta foi a solução encontrada pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) para fazer face aos custos elevados que a EDP cobra pelo fornecimento de energia às centrais hidroelétricas de Alqueva e Pedrógão.

Moody’s: Portugal com economia em risco a partir de 2030 devido ao envelhecimento da população

Para contrariar os riscos de recessão económico, a agência defende que devem ser tomadas medidas que aumentem o crescimento da produtividade ou que sustentem o crescimento económico.

Alunos deslocados têm de se registar todos os anos no portal do Fisco para deduzir a renda

A renda paga pelos alunos que estão a estudar a mais de 50 quilómetros de casa pode ser deduzida ao IRS, mas para tal é necessário que todos os anos o estudante comunique ao fisco que se encontra deslocado.
Comentários