Concurso do ferry foi “fato à medida” para “os interesses instalados”, diz o BE Madeira

“As limitações colocadas no caderno de encargos (…) cumpriram o objetivo de afastar potenciais concorrentes”, acusa Paulino Ascensão.

“O Governo Regional revela mais uma vez a sua subserviência aos interesses privados. Conduziu o processo do ferry de modo a salvar a promessa eleitoral, mas sem beliscar os interesses instalados e em prejuízo da maioria dos madeirenses”, critica o líder do Bloco de Esquerda na Madeira.

Paulino Ascensão reage assim ao anúncio de que a Empresa de Navegação Madeirense (ENM), do grupo Sousa, é a única concorrente na ligação marítima via ferry entre a Madeira e o continente.

O ‘bloquista’ madeirense acredita que quer  “as limitações colocadas no caderno de encargos relativamente ao transporte de carga e ao desembarque no porto do Funchal”, quer “o nível das taxas portuárias cumpriram o objetivo de afastar potenciais concorrentes”.

Para Paulino Ascensão, o Governo da Madeira agiu de forma a “proteger os interesses” do grupo monopolista no transporte da carga contentorizada entre a Madeira e o continente. “O mesmo grupo económico que se apresentou como único interessado no ferry, um verdadeiro fato à medida”, acusa.

O líder regional do estranha ainda a possibilidade de uma parceria da ENM com a Naviera Armas, empresa responsável pela ligação Funchal e Portimão entre 2008 e 2012.

Não é compreensível que o operador que antes assumiu a ligação Canárias-Madeira-Portimão não se candidatasse em nome próprio ao concurso e depois surja como subcontratado. Que condições mais aliciantes o parceiro local oferece além das previstas no caderno de encargos, ou que eventuais obstáculos são removidos pela parceria e que inibiram uma candidatura própria do armador canarino?”, questiona Paulino Ascensão. 
 
Recomendadas

Funchal distinguido com bandeira verde ECO

A distinção foi feita pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), e leva em conta fatores como a educação ambiental, a sustentabilidade, a gestão dos resíduos, a mobilidade sustentável, a eficiência energética.

Madeira tem de encontrar novas experiências e segmentos no turismo

Durante a conferência da APAVT o consultor da EY, Augusto Mateus, defendeu que a madeira é “muito competente” em determinado tipo de turismo, mas que “isso não é suficiente” para a missão da Madeira.

Força de trabalho na Madeira com mais pessoas e melhor remunerados

O salário médio na Madeira atingiu mil euros e 78 cêntimos, mais 1,4%, face ao período homólogo, sendo que as empresas com maior dimensão foram as que melhor pagavam. 81% estavam afetos ao sector terciário.
Comentários