Congresso do PSD (dia 1): Rui Rio dá lição de ética e reformismo abjurando o Bloco Central

Primeiro, o tributo ao passado recente. O elogio a Pedro Passos Coelho. Ouvindo-o falar assim, poucos devem ter sido os "companheiros" presentes na sala que se devem ter lembrado das várias críticas, explícitas e implícitas, ao ex-líder no passado recente.

E, porque o mais importante é sempre o futuro, houve tempo para estender a passadeira da inclusão a outro Pedro, o emocionado Santana Lopes.

No final, o esclarecimento público sobre a estratégia política que o guiará para todos os acordos estruturais que sejam úteis para o País e a rejeição de qualquer possibilidade de Bloco Central, pelo menos um Bloco Central liderado pelo PS. Tinha de haver esse espaço para facilitar os títulos da Imprensa do dia seguinte e destruir o terrível papão que alguns dos anões do partido, velhos conhecidos e novas marionetas, têm andado a agitar na comunicação social.

Pelo meio, a grande lição de Rui Rio no seu primeiro discurso ao Congresso do PSD foi sobre os temas que sempre lhe mereceram a atenção nos últimos anos. Sem surpresa, desfilaram a ética na vida pública; a reforma dos partidos, por dentro, e do sistema, por fora; a reconquista da confiança dos cidadãos; o apelo, aos caciques, perdão: aos líderes, regionais, para que abram as portas do partido sem cálculo de controlo; pela enésima vez, a preocupação pela coesão territorial. E, como sempre, a crítica à Justiça que se faça fora dos tribunais.

Rui Rio construiu um discurso que teve partes incómodas para o próprio PSD e para muitos dos militantes ali sentados. Mas o novo líder tem isso em comum com o velho que dali a pouco abandonaria a sala: chamem-lhe teimoso, coerente, genuíno ou obstinado. Não importa. Rui Rio é assim, como quando recentemente elogiou as políticas financeiras do período regido por Maria Luís Albuquerque – diz o que pensa mais vezes do que qualquer outro líder político português. Mas não deixa de ser político, ou não teria tido tempo para referir explicitamente o nome do líder parlamentar, Hugo Soares, que está de saída. Rui Rio apresentou-se. Por hoje, foi só isso. Quando puder concretize, sff.