Construção de hotel de 30 milhões no Douro congelada pela CCDR-N

O chumbo do projeto deveu-se à volumentria da obra, que poderá colocar em risco a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO

REUTERS/Jose Manuel Ribeiro

A construção de um hotel com 180 quartos junto ao rio Douro, no concelho de Mesão Frio, proposto por uma sociedade do empresário Mário Ferreira, foi congelada pelo Estado, após a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) ter chumbado o estudo de impacte ambiental do projeto, noticia o “Público” esta segunda-feira.

O CCDR-N chumbou o projeto por detetar inconformidades, desde a falta de documentos  à carência de explicações e outras omissões ou irregularidades formais. Este projeto foi lançado no tempo do governo de José Socrates, sendo avaliado em 30 milhões de euros e considerado de “interesse nacional”.

Segundo o “Público”, o chumbo do projeto deveu-se à volumentria da obra, que poderá colocar em risco a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO.

Mais, os serviços do ordenamento do território e do ambiente suspeitam que o projeto de Mário Ferreira, dono da Douro Azul, nasceu da violação da Lei da Água e da lei que determina os critérios de gestão das “áreas adjacentes” dos rios protugueses. Uma parte significativa do espaço para construção do hotel situa-se no leito de cheia secular do rio Douro.

Ao “Público”, Mário Ferreira contestou a decisão e afirmou que “[este projeto é] uma verdadeira nódoa na capcidade de gestão das entidades públicas”.

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A operação conta ainda com o investimento de dois empréstimos obrigacionistas, num total de 50 milhões de euros, e com o “apoio da Caixa Geral de Depósitos, do Montepio e do Banco Carregosa”, de acordo com o Jornal de Negócios.

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A firma britânica confirmou o negócio com o dono da Douro Azul esta quinta-feira.
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