Consumidores querem telemóveis flexíveis e “gémeos digitais”

A consultora IDC refere que se venderam quase 63 milhões de smart speakers a nível mundial, entre janeiro e setembro de 2018, mais 224% em termos homólogos.

Visitors use their mobile phones during the Mobile World Congress in Barcelona, Spain February 28, 2018. REUTERS/Yves Herman

Os aparelhos eletrónicos mais ansiados pelos chamados early adopters (que compram produtos e tecnologias antes de se tornarem massificados) têm essencialmente duas características: são desdobráveis e falam. Sejam televisores, telemóveis ou outros gadgets, os fãs do digital querem ‘internet nas coisas’ e portanto prevê-se uma evolução nos assistentes virtuais como Alexa, Siri ou Bixby, que agora são agendas mas podem fazer o papel de amigos, sósias e ter até smart quarrels (discussões inteligentes) por nós.

“Mais de 60% dos utilizadores de assistentes virtuais acreditam que os dispositivos digitais inteligentes serão capazes de perceber as nossas mudanças de humor, disposição física e agir proativamente em conformidade, oferecendo uma solução ou ajuda, e 66% acreditam que os altifalantes inteligentes argumentarão e alimentarão discussões, como membros da família dentro de três anos”, afirma ao Jornal Económico Paulo Barreira, gestor de vendas da TP-Link Portugal.

O especialista da fabricante chinesa realça também a importância do digital twin (“gémeo digital”) para quase metade dos 30 milhões de consumidores inquiridos, entre os 15 e 69 anos de idade, que querem autênticos avatares que “os simulem perfeitamente, para que possam estar em mais de um lugar ao mesmo tempo”. Ou seja, estes aparelhos movidos a Internet sem fios ou Bluetooth devem conseguir subscrever de forma automatizada serviços e produtos e reabastecer as despensas dos seus donos. A adesão a estes dispositivos por comando de voz é confirmada pelos dados da consultora tecnológica IDC: venderam-se quase 63 milhões de smart speakers no mundo entre janeiro e setembro de 2018, mais 224% do que no período homólogo. A expectativa desta empresa é de que continue a crescer, porém, como em qualquer outra tecnologia de vanguarda, terá obstáculos iniciais, entre os quais “preço – que só irá descer quando subirem as vendas – ou o desconhecimento do benefício”, diz Francisco Jerónimo, diretor de investigação da IDC EMEA.

Quanto ao mundo mobile, além do tão aguardado 5G, Francisco Jerónimo explica que a grande novidade em 2019 serão os telefones com ecrãs maiores e desdobáveis. “A ideia é permitir que tenhamos um telemóvel que se transforme num tablet. Apesar de não ser 100% flexível vai permitir abrir o ecrã e torná-lo maior. Espera-se também que haja cada vez mais ecrãs sem qualquer botão, até com a fingerprint incluída no ecrã, por exemplo”, afirma. No entanto, alerta que smartphones com 7 polegadas são pouco vendidos, por não serem “ergonomicamente fáceis de usar”.

Mesmo no conforto do seu lar os consumidores não dispensarão a conectividade em apps ou óculos que os orientem na rotina diária, os ensinem a cozinhar ou a reparar uma torneira. Segundo o estudo de mercado da IDC, tanto as vendas de smart lights, como as de smart TVs ou de sistemas de monitorização/segurança da casa aumentaram nos primeiros nove meses do ano passado, para 23 milhões, 115,2 milhões e 67,5 milhões de unidades, respetivamente. Já a TP-Link, só em aparelhos inteligentes para a casa, fez nove milhões de entregas. Na categoria smarthome, os lançamentos mais esperados estão relacionados com a IoT. Entre os exemplos apresentados por Paulo Barreira para as ‘casas tech’ está a evolução da gama de routers sem fios Deco [Whole Home WiFi System], a introdução de novas câmaras “IP Cams In Door” (KASA Smart) e “Video Door Bell”, bem como controladores “power strip, light switch, sensors e dimmer”.

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