Costa defende não há união monetária sem capacidade orçamental comum

O primeiro-ministro considera que é necessário mais recursos financeiros para que esta união monetária possa funcionar e, por isso, os Estados devem contribuir mais e a União Europeia (UE) deve ter mais recursos próprios que a permitam financiar.

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu esta quinta-feira que não há verdadeira união monetária sem que haja uma capacidade orçamental comum. O primeiro-ministro considera que é necessário mais recursos financeiros para que esta união monetária possa funcionar e, por isso, os Estados devem contribuir mais e a União Europeia (UE) deve ter mais recursos próprios que a permitam financiar.

“O livro branco que Juncker apresentou é muito ambicioso e temos que avançar em todas essas dimensões. E para avançarmos em todas essas dimensões temos que avançar em bases sólidas”, afirmou o líder do Executivo, no debate “Que futuro para a Europa?”, no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), com o comissário europeu para os assuntos económicos e financeiros, Pierre Moscovici.

António Costa disse ainda que “é impossível dar um passo em frente sem resolver um problema ainda não resolvido”. Na Europa, segundo o governante, esses assuntos por resolver traduzem-se em completar a união económica e monetária e concluir a reforma da zona euro. “Tem havido avanços em alguns aspetos da união bancária e há um roteiro para os aspetos que ainda falta conseguir”, afirmou.

“Uma dessas questões é a de que não há nenhuma união monetária sem que haja uma capacidade orçamental comum, que precisa de ser construída. Significa que tem de haver recursos para essa capacidade e, por isso, ou os Estados aumentam as suas contribuições ou a UE passa a ter mais recursos próprios que a permitam financiar”, defendeu, considerando que “ambas são necessárias”.

O primeiro-ministro português considera que mais importante do que o mecanismo de estabilização, que “todas as uniões monetárias devem ter” é ter capacidade orçamental para reforçar a convergência e reduzir as assimetrias entre os estados. “O maior fator de estabilização é a redução das assimetrias e o maior fator de redução de risco para a estabilidade da moeda única é igualmente a redução das assimetrias”, salientou António Costa, lembrando as últimas décadas da história portuguesa.

“Não há um guião uniforme das reformas que cada país deve fazer. No caso português há algumas que são muito evidentes: reforçar a requalificação dos recursos humanos, reforçar a intensidade tecnológica das nossas empresas e reforçar os fatores de inovação da nossa economia. É aqui que temos que apostar”, concluiu António Costa.

Ler mais
Relacionadas

Costa: “A ideia de que sem Europa ficamos mais seguros e autónomos é um erro básico”

O primeiro-ministro defende que o sentimento de integração é cada vez maior e os portugueses se sentem cada vez menos “tuteladas” pela Europa e mais parte do projeto de interesse comum.
Recomendadas

“Violência não beneficiará de qualquer indulgência”, avisa Macron

Presidente francês falou ao país após os tumultos do passado fim-de-semana.

Partido Trabalhista prepara moção de censura ao governo

“Nós vamos apresentar uma moção de censura quando julgarmos que terá sucesso”, justificou o partido, através de um porta-voz, na sequência de uma carta em que de 50 deputados trabalhistas urgem o líder, Jeremy Corbyn, a desafiar o governo.

Central de energia da Mota-Engil no México recebeu primeira unidade de produção

A primeira fase deste projeto, com a entrada em produção prevista para junho de 2019, arranca com um investimento de 2.800 milhões de pesos (121 milhões de euros) para alcançar uma capacidade total de produção de 100 MW.
Comentários