Antrop alerta para empresas de transporte de passageiros que não podem sustentar situação “por mais tempo”

O secretário geral da associação das transportadoras rodoviárias de passageiros em Portugal revela que tem informação que o Governo está a trabalhar no sentido da concretização de apoios ao setor, “que são essenciais para que as empresas não encerrem, nem haja despedimentos em massa”.

Luís Cabaço Martins é o secretário-geral da Antrop – Associação Nacional de Transportes de Passageiros, uma associação que representa empresas do setor que empregam em Portugal cerca de 12 mil trabalhadores, com uma frota de mais de 7.200 autocarros.

As associadas da Antrop percorrem mais de 380 milhões de quilómetros por ano, transportando mais de 400 milhões de pessoas.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Económico, Cabaço Martins alerta que, “neste momento, não temos praticamente nenhuma receita e temos os mesmos custos fixos que tínhamos, o que é uma situação que não poderemos sustentar por mais tempo”.

Quais são os planos de contingência previstos pelos associados da Antropo para fazer face à Covid-19?
A Antrop, desde que se iniciou o surto de pneumonia do novo coronavírus – Covid-19, tem estado em contacto permanente com os seus associados, no sentido de adotarem as medidas recomendadas pela Direção-Geral de Saúde, junto dos seus colaboradores, prestadores de serviços e também junto dos clientes. Por outro lado, temos realizado um trabalho de coordenação para garantir, em todo o país, o bom funcionamento de todos os serviços públicos de transportes prestados pelos nossos associados.

Que medidas foram/vão ser aplicadas para proteger os trabalhadores? Que medidas foram/vão ser aplicadas para proteger os clientes?
O reforço da higienização dos transportes é a medida que mais protege trabalhadores e clientes. As empresas estão a utilizar um produto de limpeza indicado pelas autoridades de saúde (DGS) para o combate à pandemia de Covid-19. Por outro lado, a não validação dos títulos de transporte e as entradas e saídas dos passageiros pelas portas traseiras são medidas que protegem tanto motoristas como clientes.

Já foram canceladas viagens ou colocados colaboradores de quarentena?
A oferta de transportes foi adequada à procura. A preocupação das empresas de transporte passa pela segurança dos seus colaboradores e dos seus clientes, que é transversal a todas elas, pelo que estão a ser seguidas à risca todas as determinações das autoridades de saúde em Portugal, havendo, do lado dos transportadores, um reforço de todas as medidas de segurança e de higiene que estão aprovadas pela DGS e pelo Governo.

A Antrop está a sentir algum efeito na procura dos seus produtos e nas suas receitas em função desta pandemia?
Assistimos, neste momento, a uma fortíssima diminuição generalizada da procura relacionada com as medidas de contingência tomadas pelo Governo, sobretudo após a declaração do estado de emergência, tais como o encerramento de escolas, as empresas a laborar em teletrabalho ou ainda o encerramento da maioria dos estabelecimentos comerciais.

Qual o impacto, em termos de quebras de procura de passageiros e de receitas que já é possível quantificar neste momento, para a generalidade dos associados da Antrop?
Neste momento, a nossa prioridade é trabalhar para garantir, em todos os cenários, que continuamos a servir os portugueses em segurança. É fundamental mantermos a rede de transportes pública em bom funcionamento. No que respeita ao impacto na receita, em breve, poderemos ter números mais claros em função do tempo que estas medidas estiverem em vigor. Para já, temos todos os serviços comerciais e os transportes escolares suspensos, o que é muito penalizador. Contudo, a Antrop é sensível aos argumentos do Presidente da República e do Governo na necessidade de proteção da economia portuguesa e, desta forma, os nossos associados continuarão a prestar os serviços de transporte necessários a quem precise de os utilizar, designadamente nas deslocações para o trabalho, seguindo sempre as recomendações do Governo.

Prevê-se algum plano de redução de oferta? Será solicitado ao Governo algum programa especial de apoio ao setor e às empresas?
A oferta continuará a ser adequada à procura, mas sempre em articulação com as autoridades de transporte. Já foram pedidas ao Governo medidas de apoio específicos para o setor, uma vez que a nossa atividade, com exceção dos serviços (muito diminuídos) das carreiras de serviço público, está completamente parada.
Neste momento, não temos praticamente nenhuma receita e temos os mesmos custos fixos que tínhamos, o que é uma situação que não poderemos sustentar por mais tempo. Temos informação que o Governo está a trabalhar no sentido da concretização desses apoios, que são essenciais para que as empresas não encerrem, nem haja despedimentos em massa.

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