Crédito às famílias atinge recorde de 16,3 mil milhões em 2018. Depósitos em mínimo histórico

Em 2018 o crédito a particulares atingiu um novo máximo e os depósitos um mínimo histórico. O que aumenta a exposição ao risco de crédito.

O crédito às famílias sobe para 16,3 mil milhões de euros em 2018, é o valor mais alto desde 2010.

Este é o valor dos novos empréstimos a famílias em 2018, o que significa mais 1,85 mil milhões que em 2017.

Dentro do crédito a particulares a concessão de crédito à habitação atingiu um novo máximo, pois os bancos disponibilizaram 9.835 milhões de euros em crédito para a compra de casa, revela o Banco de Portugal. Isto depois de em dezembro, as novas operações de crédito à habitação terem somado 903 milhões de euros, o que compara com os 822 milhões de euros de crédito para a compra de casa concedidos em novembro.

“Em 2018, os volumes de novas operações de empréstimos para habitação, consumo e outros fins totalizaram 9,8 mil milhões, 4,7 mil milhões e 1,8 mil milhões de euros, respetivamente”, anunciou o Banco de Portugal na nota de informação estatística divulgada esta terça-feira.

À semelhança do que acontece no crédito à habitação, o crédito ao consumo também voltou a aumentar no ano passado. Os bancos disponibilizaram 4.660 milhões de euros para crédito ao consumo, em 2018, ou seja, mais 10% do que  no ano anterior.

No que toca aos empréstimos com outros fins foram disponibilizados 1.823 milhões de euros em empréstimos, em 2018, menos 7% do que em 2017.

O Banco de Portugal divulgou hoje também que em 2018, o volume de novos empréstimos a sociedades não financeiras (empresas) totalizou 31,6 mil milhões de euros, o que representa um acréscimo de 2,7 mil milhões de euros em relação a 2017, invertendo a tendência de decréscimo que se verificava desde 2014.

Taxas de juro de novas operações de empréstimos aumentam

A taxa de juro média dos novos empréstimos concedidos a sociedades não financeiras aumentou 30 pontos base (pb) em relação a dezembro de 2017, para 2,46%, refere a nota do Banco de Portugal.

Por segmento, e face ao período homólogo, a taxa de juro das operações abaixo de 1 milhão de euros diminuiu 20 pb, para 2,67%, e a taxa das operações acima de 1 milhão de euros aumentou 70 pb, para 2,29%.

As taxas de juro de novas operações de empréstimos a particulares continuaram a apresentar, em 2018, uma tendência decrescente, tendo atingido novos mínimos históricos em vários segmentos.

Nas novas operações de empréstimos a particulares para habitação, a taxa de juro média foi de 1,41%, reduzindo 16 pb relativamente a dezembro de 2017.

Já no crédito ao consumo e no crédito para outros fins, as taxas de juro médias foram de 6,77% (6,88% em dezembro de 2017) e de 3,75% (3,26% em dezembro de 2017), respetivamente. Em dezembro de 2018, a taxa do crédito ao consumo registou um mínimo histórico.

 

Taxa de variação anual

A nota do Banco de Portugal diz ainda que em dezembro de 2018, o stock de empréstimos às Sociedades não Financeiras registou um valor de 69,6 mil milhões de euros, registando uma taxa de variação anual de 0,3% (-0,3% no mês anterior). Já o stock de empréstimos a Particulares registou um valor de 115,3 mil milhões de euros, registando uma taxa de variação anual de 0,1%.

“Em dezembro de 2018, os empréstimos concedidos pelos bancos a sociedades não financeiras (empresas) apresentaram uma taxa de variação anual de 0,3%, que compara com -0,3% registados em novembro”, lê-se na nota. “Este indicador não era positivo desde maio de 2011. A taxa de variação dos empréstimos a particulares (habitação) foi de -1,1%, o que traduz uma diminuição de 0,3 pontos percentuais (pp) em relação ao mês anterior”, acrescenta o BdP.

Para o conjunto da área do euro, as taxa de variação anual nos empréstimos a sociedades não financeiras e a particulares (habitação) mantiveram-se praticamente inalteradas em 2,8% e 3,3%, respetivamente.

De acordo com a mesma fonte, em dezembro de 2018 o crédito vencido total, em percentagem do respetivo total de empréstimos, foi de 4,70%, diminuindo 1,19 p.p. face ao mês anterior. O crédito vencido em percentagem do total de empréstimos concedidos às Sociedades não Financeiras passou de 10,07% para 7,78%. O crédito vencido em percentagem do total de empréstimos concedidos aos Particulares fixou-se em 2,84% (3,33% no mês precedente).

 

Depósitos de particulares com a variação anual mais elevada

No que toca à poupança, os depósitos de particulares nos bancos residentes totalizavam 144,7 mil milhões de euros no final de dezembro de 2018, refletindo uma taxa de variação anual de 3,8%, o que corresponde, em valor, à variação anual mais elevada dos últimos sete anos (5,4 mil milhões de euros). Este indicador aumentou 1,2 pp face a novembro.

Na área do euro, a taxa de variação anual dos depósitos de particulares foi de 4,3% em dezembro, que compara com 4,2% em novembro.

Em 2018, o volume global de novas operações de depósitos de sociedades não financeiras (empresas) ascendeu a 19,6 mil milhões de euros (25,4 mil milhões de euros no período homólogo), o que traduz um novo mínimo histórico.

No caso dos particulares, o volume de novas operações, em 2018, representa um novo mínimo histórico de 60,5 mil milhões de euros, montante que compara com 61,1 mil milhões de euros em 2017.

 

Taxas de juro de novas operações de depósitos 

Em dezembro de 2018, a taxa de juro média dos novos depósitos, até um ano, de sociedades não financeiras (empresas) fixou-se em 0,10%, menos 4 pb do que em dezembro de 2017, revela o banco central. Desta forma registou um novo mínimo histórico da série.

A taxa de juro média dos novos depósitos, até um ano, diminuiu 4 pb face ao período homólogo, para 0,14%.

(atualiza com crédito vencido)

Ler mais
Recomendadas

Caixa Geral está a vender Mercedes para atingir metas da recapitalização

Campanha de crédito “imbatível” está a chegar por email a clientes. Banco justifica com metas “extremamente exigentes”. E diz que não está a promover o endividamento, pois clientes acederiam na mesma a outras opções de financiamento do mercado.

PremiumCTT injetam 100 milhões no banco para comprar 321 Crédito

BCE autorizou aquisição porque os CTT garantiram aumento de capital. Na AG, 44% do capital presente, incluindo o maior acionista Champalimaud, recusou menção de louvor à gestão de Lacerda.

PremiumCGD está a vender Mercedes para atingir metas da recapitalização

Campanha de crédito “imbatível” está a chegar por email a clientes. Banco justifica com metas “extremamente exigentes”. E diz que não está a promover o endividamento, pois clientes acederiam na mesma a outras opções de financiamento do mercado.
Comentários