Credores da dona do Minipreço negoceiam plano de resgate alternativo à OPA

O acordo necessita da unanimidade de doze entidades financeiras. Contudo, os credores estão dispostos a negociar os termos e taxas de juros.

Os credores bancários da multinacional espanhola Distribuidora Internacional de Alimentación (Dia) estão a negociar um plano de resgate alternativo à Oferta Pública de Aquisição (OPA) do investidor russo, Mikhail Fridman, revela esta quarta-feira o jornal espanhol “Cinco Días“. Para que este acordo seja alcançado é necessário que exista unanimidade de doze entidades financeiras, sendo que os credores estão dispostos a negociar os termos e taxas de juros.

O magnata russo, que em julho de 2017 entrou no capital do grupo que detém a cadeia Mini Preço, tem feito um autêntico “jogo de xadrez” com a banca espanhola, sendo que fontes das doze instituições que emprestaram dinheiro à empresa dizem ao diário que esta pode ser uma forma de negociar.

Os credores querem os seus empréstimos devolvidos e não se importam com quem controla a empresa. A grande dificuldade será o elevado número de bancos que participam nos empréstimos do grupo Dia. Entre eles estão o Santander, BBVA, Deutsche Bank, ING, Barclays, BNP Paribas, JP Morgan e Société Générale.

Mikhail Fridman, cujo assessor financeiro é o banco de investimento Goldman Sachs, terá ainda que renegociar o refinanciamento a médio e longo prazo, que deve incluir uma solução também para os proprietários da dívida, cujo primeiro vencimento será em julho. Ao diário do ‘país vizinho’, fontes apontam que o banco mais exposto é o Santander, sendo por isso fundamental o seu papel nas negociações com a Letterone.

Até agora não houve uma abordagem específica por parte do investidor russo. “Esperava-se uma manobra para defender o investimento de quase 800 milhões de euros que investiu na empresa”, referiu fonte próxima do grupo Dia à mesma publicação.

A sociedade de private equity e venture capital LetterOne, do investidor russo Mikhail Fridman, anunciou esta terça-feira que lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre 70,09% da cadeia de supermercados Dia, na qual detém uma participação de 29%. Segundo a empresa com sede em Luxemburgo, accionista maioritária do Dia, as ações estarão a 0,67 euros e a OPA terá como objetivo a saída da bolsa e valorizar a retalhista em cerca de 500 milhões de euros.

Os títulos da Dia estiveram a disparar 61,43%, para 0,693 euros, na bolsa de Madrid. Além da oferta, o fundo controlado por Fridman planeia lançar o que denominou de ‘Plano de Resgate Integral’, com três fases, sendo que a primeira será o lançamento da própria OPA.

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A LetterOne, com sede em Luxemburgo, acionista maioritária do grupo Dia, refere que as ações estarão a 0,67 euros e que a OPA terá como objetivo a saída da bolsa e valorizar a retalhista em cerca de 500 milhões de euros.

Regulador suspende negociações da dona do Minipreço

A decisão surge um dia depois de o Dia, empresa na qual o russo Mikhail Fridman detém uma participação de 29%, ter registado uma subida de 22% no índice espanhol IBEX 35.
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