Cuidado com os ânimos quentes

Já estamos em pleno Outono e o frio começa a fazer-se sentir.

Já estamos em pleno Outono e o frio começa a fazer-se sentir. No entanto, isso não está a impedir a subida acelerada da temperatura na tensão entre os governos em Lisboa e no Funchal. O último episódio foi a apresentação do OE2019 e o parecer desfavorável da Assembleia Regional. Os temas da discórdia acumulam-se e prolongam-se: a não-liquidação das dívidas dos sub-sistemas de saúde, a redução da taxa de juro do empréstimo do Estado  e o financiamento do novo hospital do Funchal. Este último caso, no qual o PS_ficou isolado, é sintomático: o governo central diz que cumpriu os compromissos e o regional diz que não.

A discordância é parte essencial da política, mal seria se não tivéssemos representantes a lutar pelos nossos direitos. O problemé, no entanto, a subida de tom nas acusações e nas ações. Por um lado termos como “desilusão”, “ofensivo”, “falta de palavra” e “vigarice”_têm de ser usados com cautela, do outro as decisões não podem ser anunciadas de determinada forma e posteriormente escritas e implementadas de outra.

O próximo ano vai trazer três eleições, algo que explica e poderá exacerbar a crispação.

As sondagens mostram um cenário fragmentado na Região, o que não ajuda a tranquilizar os ânimos, com os políticos ainda mais pressionados pelos partidos a obter o resultado certo. O risco é que a crispação acabe por alienar os eleitores, criando fadiga e acabando por resultar numa subida da abstenção. Será mesmo desejável que se grite tanto ao ponto de ninguém suportar ouvir?

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