Da silvicultura às caminhadas, em Monchique fazem-se contas ao futuro

Por estes dias, Reinaldo Alves vai dando voltas pela serra à procura das bolsas verdes que se escondem por uma paisagem feita de cinzas e de árvores queimadas.

Ricardo não sabe como vai aguentar com uma empresa de silvicultura em Monchique, onde uma grande parte do concelho ardeu. Reinaldo espera que seja possível continuar a dinamizar caminhadas pela serra, em bolsas verdes entre a paisagem negra.

Por estes dias, Reinaldo Alves vai dando voltas pela serra à procura das bolsas verdes que se escondem por uma paisagem feita de cinzas e de árvores queimadas.

Trabalhador na Câmara de Monchique, dedica-se nos tempos livres a guiar pessoas em caminhadas pela zona, onde o turismo de natureza começava a fazer o seu caminho.

“Monchique estava a desenvolver-se e, além daqueles que vinham por nossa iniciativa, encontravam-se centenas de pessoas – portugueses e estrangeiros – a caminhar” pela serra, à procura de um Algarve diferente, explica à agência Lusa Reinaldo.

Anda por Barranco dos Pisões, por onde passa uma ribeira no meio de pedregulhos e floresta nativa. “Ao menos isto escapou”, nota Reinaldo, que vai dando conta dos pontos de interesse que terão escapado e de outros que arderam.

“A gente se for a um sítio mais alto vê negro por todo o lado”, sublinha o habitante natural do concelho, que entende que o turismo estava a afirmar-se como mais uma fonte de riqueza e de criação de postos de trabalho no concelho do interior do barlavento algarvio.

Agora, o turismo associado à natureza “fica comprometido”.

“Não podemos começar a fazer caminhadas pelo meio da cinza”, realça.

Ricardo Sousa, jovem de Alferce, no concelho de Monchique, é mais um rosto de desânimo, quando se fala das consequências do fogo que deflagrou a 3 de agosto e que terá consumido cerca de 27 mil hectares.

Há cinco anos, começou sozinho a fazer trabalhos de silvicultura em Monchique e hoje tinha uma empresa com 12 trabalhadores.

“Fui crescendo lentamente e agora, em quatro ou cinco horas, perdi o que construí em cinco anos”, diz à agência Lusa o jovem de 28 anos.

Agora, a empresa especializada em trabalhos de limpeza de terrenos e matos vai ficar reduzida a quatro trabalhadores por causa do incêndio.

“Fiquei sem trabalho. Não sei o que vou fazer”, nota, apontando também para a zona ardida pelo incêndio de 2016, em Monchique, onde ainda não há trabalho na sua área.

Ricardo Sousa, desalentado, espera agora estender-se para outras zonas, nomeadamente para o Alentejo, por forma a garantir a continuidade de trabalho.

“Se eu não continuar com a empresa, vou fazer o quê”, pergunta.

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