Dagong diz que bancos da Europa Central Oriental são mais rentáveis que os da zona euro

A agência de rating chinesa comparou vários indicadores dos bancos e concluiu que os bancos dos países da Europa Central e Oriental superam os da zona euro em lucros, rentabilidade, rácio de capital, e até na concessão de crédito.

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A agência de rating chinesa Dagong fez um estudo em que comparou o setor bancário da zona euro com os bancos da Europa central e oriental. O Estudo, intitulado “Europa Central e Oriental versus Bancos da Zona do Euro: Desafios e Oportunidades”, revela um “maior crescimento do crédito nos países da Europa Central e Oriental”.

Os bancos de países sem euro como Hungria, Bulgária, Polónia, entre outros, são mais rentáveis, estão mais capitalizados, e dão mais crédito à economia. Em termos de qualidade dos ativos não há uma separação geográfica clara, conclui a agência.

“Embora os bancos em alguns países da zona do euro ainda estejam a sofrer os efeitos da recessão em 2011-2012, a recuperação económica mais forte nos países da Europa Central e Oriental permitiu que os bancos ampliassem os volumes de crédito e ampliassem seus balanços”, avança o estudo da Dagong.

A redução do rácio de crédito improdutivo (NPL) é no entanto um desafio comum, considera a agência de rating.  “Com base nos últimos dados disponíveis do Painel de Risco da EBA (Autoridade Bancária Europeia), relativo ao quarto trimestre, a taxa média ponderada de incumprimento do crédito para a UE é de 4,0% com cobertura de 44,5%. Portanto, bancos em países como Roménia, Hungria, Bulgária, Itália e Portugal têm mais pressão para melhorar a qualidade dos ativos através de estratégias mais agressivas, incluindo mais write-offs (imparidade a 100%) e venda de carteiras de crédito improdutivo (NPL).

Em termos de cobertura, a disparidade entre zonas é menos evidente, sendo mais baixa a taxa de cobertura nos bancos da Bulgária com 54,5% (de entre os países da Europa Central e Oriental (PECO) selecionados) e a Alemanha, com 39,3%, de entre os países da zona euro.

A Dagong salienta que as diferenças nas taxas de desemprego são ainda muito elevadas (por exemplo, Espanha, com 17,1% para 2017, contra 2,8% para a República Checa), mas a tendência positiva, apoiada em alguns casos por reformas legislativas, é partilhada em toda a Europa. “Esperamos que as taxas de desemprego diminuam ainda mais, contribuindo para proporcionar um ambiente económico estável que permita aos bancos aplicarem uma estratégia de concessão de crédito mais ativa”, diz a nota.

Em termos de lucros, os bancos dos países da Europa Central e Oriental (PECO) são mais lucrativos. “A rentabilidade baseada no retorno dos ativos do banco mostra uma ampla dispersão entre os países da zona do euro e os da Europa Central e Oriental. Para os bancos da zona do euro com operações principalmente na Europa, o ambiente de juros baixos prejudicou a geração de lucros no geral. Nos países da Europa Central e Oriental, os bancos beneficiam de mercados em crescimento e de um cenário competitivo diferente, levando a um retorno significativamente mais alto sobre os ativos do que os bancos da zona do euro.

A capitalização dos bancos está a melhorar consistentemente, diz a Dagong. Os bancos em toda a Europa estão a responder à pressão dos reguladores e do mercado para fortalecer os níveis de capital, a fim de antecipar as mudanças regulatórias e a implementação das regras contabilísticas de Basileia III. Os bancos nos países da Europa Central e Oriental apresentam um rácio CET1 significativamente melhor em média em comparação com os países da Zona Euro.

“Acreditamos que os bancos nos  países da Europa Central e Oriental estão a construir capital para enfrentar um crescimento maior do crédito, apoiado também pelos resultados positivos e maior retorno dos capitais próprios em comparação com os bancos da Zona do Euro”, lê-se na nota da Dagong.

Os países selecionados na Europa Central e Oriental são a Hungria, a Polónia, a República Checa, a Roménia e a Bulgária.

Os países da zona euro selecionados pela Dagong são a Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal.

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