Demissão de Azeredo Lopes: partidos falam em consequências políticas de “erro gravíssimo”

Ministro da Defesa apresentou esta tarde a demissão ao primeiro-ministro. Partidos já reagiram à saída de Azeredo Lopes.

António Cotrim/Lusa

Os representantes dos partidos políticos já começaram a reagir à demissão do ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse em declarações aos jornalistas que “falta responder a todas as perguntas sobre este caso” mas que o partido aguarda “pelo momento próprio para as nossas perguntas”.

Catarina Martins afirmou que o BE sempre considerou o “caso muito grave”, defendendo não existir “ninguém que não perceba isso” mas que é necessário aguardar pelas respostas nos “locais certos”.

“O Governo retirou consequências políticas de um erro gravíssimo”, rematou.

Já o deputado do PSD Marco António Costa disse, em declarações à SIC Notícias, existir “uma clara preocupação com este processo”, uma vez que “ainda não se conhece verdadeiramente toda a dimensão do Caso Tancos”.

“É imperioso que todas as armas sejam recuperadas. Esta demissão era, do meu ponto de vista, inevitável porque há uma ‘sangria’ de autoridade do Governo no que diz respeito à relação com as Forças Armadas””, acrescentou.

O CDS-PP também já reagiu através do porta-voz João Pinho de Almeida, que em declarações aos jornalistas no parlamento, considerou o ‘caso Tancos’ “gravíssimo”.

“Esta demissão além de inevitável é tardia. Passado todo este tempo ninguém ignora o desgaste que aconteceu relativamente à imagem do ministro da Defesa e eventualmente por arrasto o Governo, mas essa é uma política”, defendeu, acrescentando que “esta demissão tenha demorado tanto tempo, arrastando atrás de si todo o prestígio das Forças Armadas portuguesas que não podiam ter estado sujeitas a este processo de degradação”.

Por seu lado, o deputado comunista António Filipe considerou, em declarações aos jornalistas no parlamento, que “do ponto de vista criminal este processo prosseguirá e vamos esperar que a justiça funcione”.

“Que a justiça siga os seus trâmites”, disse, acrescentando que “respeitamos a avaliação que só cabia ao primeiro-ministro e o ministro da Defesa fazer”. Recordou ainda que a Assembleia da República tem um inquérito parlamentar agendado e garantiu que as Forças Armadas prosseguirão o caminho normal.

(Em atualização)

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