Desde o início do século que a economia portuguesa não crescia tanto

Esta quarta-feira, o INE divulga dados do aumento do produto interno bruto (PIB) em 2017 e deverá confirmar a maior expansão desde 2000. Surpreendentemente, desta vez o Governo tem a projeção mais conservadora.

Peter Nicholls/Reuters

O “otimista” Governo tem, desta vez, a estimativa mais conservadora para o crescimento da economia em 2017. Tanto o Executivo de António Costa como o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimam que o produto interno bruto (PIB) tenha aumentado 2,6% no ano passado, abaixo da previsão da Comissão Europeia, que aponta para os 2,7%.

Mesmo com a estimativa mais conservadora, a economia portuguesa terá crescido no ano passado ao ritmo mais rápido desde 2000, ano em que o PIB aumentou 3,8%. Os dados serão confirmados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística com a publicação das Contas Nacionais relativas ao último trimestre de 2017 e acumulado do ano.

O consenso entre os economistas consultados pela agência Lusa também é de 2,7%, em linha com as previsões económicas de inverno, revistas em alta na semana passada pela Comissão Europeia.

Quanto aos valores trimestrais, os economistas apontam para uma subida do PIB de 2,4% em termos homólogos e de 0,6% em cadeia. O valor compara com os 2,5% homólogos, do terceiro trimestre, e 0,5%, em cadeia.

Bruxelas justifica o otimismo em relação ao “forte performance em 2017” com as exportações e as importações, que refletem “o otimismo do sentimento económico por toda a Europa e o aumento da capacidade do maior produtor automóvel em Portugal”, de acordo com o relatório da Comissão.

Apesar de o Governo estar menos confiante nos números oficiais, António Costa já deu a entender que a projeção do Executivo poderia já não estar correta. No Fórum Económico Mundial, em Davos, no final de janeiro, o primeiro-ministro afirmou que “a economia portuguesa cresceu mais do que o otimismo do Governo previa que se crescesse em 2017”.

A Comissão Europeia projeta que a economia portuguesa cresça 2,2% em 2018 e 1,9% em 2019, devido a uma “moderação no comércio externo no horizonte temporal” e para o consumo interno, “cujo contributo para o crescimento poderá cair após uma forte performance em 2017”.