“Desenvolvimentos tecnológicos vão alterar o futuro da energia”

A generalização dos veículos elétricos entrou nas contas da Organização dos Países Exportadores de Petróleo como um fator que pode alterar a procura global por petróleo, mas as implicações da inovação tecnológica podem estender-se à produção.

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As inovações tecnológicas, em especial a generalização de veículos elétricos (VE), poderão revolucionar o setor energético nas próximas décadas. De acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), as necessidades globais de petróleo vão cair a partir da segunda metade da década de 2030, criando um novo desafio para o setor.

Numa altura em que os VE deixam de ser incomportáveis para a generalidade da população e ganham destaque no mercado automóvel, a OPEP previu, num relatório publicado na semana passada, uma procura mundial de 111,1 milhões de barris de petróleo por dia em 2040.

No entanto, se a adoção de VE foi maior que o antecipado, a procura pode cair para 108,6 milhões barris por dia, segundo dados da organização. “Os desenvolvimentos tecnológicos vão alterar o futuro do panorama da energia, quer na vertente na utilização quer na vertente da eficiência energética”, explicou Ângelo Custódio, trader do Banco Best.

“Se, por um lado,  o crescimento da indústria de VE é a face mais visível desse futuro, é preciso referir que, por outro lado, é expectável que o petróleo seja mais  utilizado em desenvolvimento de novas fibras e materiais resistentes com aplicação, por exemplo, na indústria aeronáutica e automóvel”.

Apesar da tendência, a OPEP sublinha que a disseminação de carros movidos a eletricidade não é alarmante para os produtores de petróleo, já que o petróleo continuará a ter um papel preponderante no consumo de energia. Até 2040, o cartel espera mesmo aumentar a quota de mercado para 46%, dos 40% de 2016.

“Importa salientar que a revisão da previsão de procura, continua a evidenciar uma perspetiva de crescimento da procura do petróleo nos próximos anos, sendo os principais países desenvolvidos a liderarem o aumento no consumo, com a OPEP otimista face à escolha do petróleo como combustível preferencial no futuro próximo”, acrescentou Custódio.

“Ainda de acordo com a OPEP, a expetativa no aumento da procura de energia até 2040 será cerca de 35%, pelo que será a evolução das principais economias mundiais a ditar a procura de petróleo”.

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