Desvalorização do yuan provoca quedas recorde em Wall Street

Wall Street não via quedas assim desde novembro e dezembro de 2018. Guerra comercial marca o ritmo das negociações dos índices norte-americanos.

Reuters

Segunda-feira ‘negra’ em Wall Street. Os mercados bolsistas norte-americanos viveram esta segunda-feira as piores quedas do ano, consequência direta da desvalorização do yuan que depreciou tendo em conta a imposição de tarifas alfandegárias por parte dos EUA à China.

Assim, o Dow Jones desvalorizou 2,89% para 25.718,62 pontos enquanto o Nasdaq caiu 3,47% para 7.726,04 pontos. Já o S&P500 derrapou 2,98% para 2.844,75 pontos.

O Banco Popular da China (PBOC) baixou meio ponto base o yuan, a divisa chinesa, face ao dólar, o que poderá desencadear uma fuga de capital do país e um terremoto nos mercados globais – como  já sucedeu em 2015 e 2016. As abruptas desvalorizações do yuan (e o consequente fortalecimento do dólar) foram seguidas por significativas saídas de capitais da China, quedas acentuadas nos mercados mobiliários e uma desaceleração no motor de crescimento da economia mundial (a China contribui mais para crescimento global do PIB que todas as economias da OCDE juntas).

O contexto não podia ser pior: a incerteza gerada pela guerra comercial tem lançando fortes sinais de alarme sobre a chegada da próxima recessão. Neste momento, são necessários 7 yuans para comprar um único dólar, algo que não acontece desde abril de 2008. A queda da moeda chinesa ocorre apenas quatro dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado novas tarifas de mais 10% sobre os produtos da China. Hao Zhou, analista do Commerzbank, citado pelo jornal espanhol Él Economista’, resume o contexto de forma simples: “está a chegar um tsunami“.

 

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