Dia Mundial da Saúde Mental. Startup portuguesa lança app para apoio psicológico

A Hug-a-Group está a celebrar a data oferecendo 150 subscrições mensais no primeiro mês. Pedro Trincão Marques, cofundador e CEO da empresa, contou ao Jornal Económico como os ataques de pânico e crises de ansiedade que sentia o levaram a criar um negócio com impacto social.

Este sábado comemora-se o Dia Mundial da Saúde Mental e a startup portuguesa Hug-a-Group assinala a data com o lançamento de uma aplicação móvel de serviços de apoio psicológico na qual os utilizadores podem aceder a grupos de auxílio moderados por psicólogos, por videochamada e exercícios guiados de autoajuda sobre distúrbios alimentares, ansiedade, mindfulness, entre outros.

A trabalhar na Hug-a-Group desde janeiro de 2019, Pedro Trincão Marques, cofundador e CEO, refere que o percurso da empresa, mesmo antes de ser oficialmente constituída, passou por programas de aceleração, como o da Demium Startups ou o “Rise” da Casa do Impacto, até fazer os primeiros testes de mercado e recrutar. A startup, neste momento com quatro colaboradores a tempo inteiro, recebeu ainda um prémio da consultora EY no valor de 7 mil euros, e este ano fechou uma ronda de investimento pré-seed – cujas verbas e investidores não divulga.

Têm sentido mais procura por este tipo de serviços, depois do confinamento?

Completamente. Durante o confinamento estivemos envolvidos no acalma.online, um projeto liderado pela Casa do Impacto, e vimos que o COVID-19 acelerou a transição para o digital no que toca a teleconsultas. No Brasil, por exemplo, o envolvimento da comunidade junto do nosso produto foi extremamente positivo e muito porque as pessoas precisavam de ajuda, mas não tinham como sair de casa ou tinham o receio de sair de casa. Apesar de atualmente, em Portugal, estarmos numa fase diferente do vírus, de adaptação no dia-a-dia, os níveis de ansiedade na população portuguesa aumentaram, muito pela incerteza que o vírus causa na economia, na saúde, na vida em geral. Incerteza gera ansiedade, e a ansiedade é um problema que afeta a vida das pessoas.

Quando é que decidiu criar um negócio no âmbito da saúde mental? Como é que este tema lhe captou a atenção?

Tive o meu primeiro ataque de pânico aos 15 anos e na altura foi-me diagnosticado um distúrbio de ansiedade generalizada. Até aos dias de hoje tenho tentado lidar com isso, mas é sempre um desafio. Tentei várias coisas ao longo da vida: fui a vários psicólogos, tomei (e tomo) medicação, meditação. Algumas coisas ajudaram muito, outras nem tanto. Outro ponto importante é que, mesmo falando com os nossos amigos ou familiares, por eles não saberem na pele o que é um ataque de pânico, por exemplo, a interação acaba por não ser a melhor e sentes-te um alien. Curiosamente, uma das coisas que eu gosto mais de fazer é perceber como é que outros lidam com a mesma situação, então sempre procurei em grupos de Facebook ou vídeos de Youtube para ver na primeira pessoa soluções ou até mesmo desabafos de outras pessoas. Isso fez-me relativizar o problema e perceber que isto é uma coisa que não me afeta apenas a mim. A ideia de juntar uma comunidade em torno da terapia de grupo/grupos de suporte nasce daí, deste click de procurar soluções junto de outros. No entanto, as plataformas de comunicação têm a falta de moderação profissional, por isso não existia um espaço para, por exemplo, uma partilha direta entre cinco-seis pessoas, numa videochamada, a serem ajudadas por um psicólogo. A Hug-a-Group vem tornar isso possível, e transformar um processo que ainda é muito solitário, o do apoio psicológico. Depois de falar com muita gente online, de vários zonas do globo, apercebi-me que esta ideia que tinha a marinar há algum tempo podia funcionar, então acabei por me dedicar a isto full-time e abandonar o emprego que tinha na altura.

Daí até estabelecer a empresa, como se tem caracterizado o vosso percurso em termos de negócio?

A nossa forma de estar tem sido muito tentar testar e validar o conceito junto de instituições que vejam valor num produto deste tipo, de forma a gerar cash-flow que nos ajude no crescimento da empresa e conseguir aprender com users reais qual o caminho certo para o nosso produto. Foi o que fizemos com a CUF, onde temos um projeto conjunto de apoio a cuidadores informais, onde o grande objetivo é prestar apoio psicológico a esta população, através da nossa aplicação, ou com a farmacêutica Medley no Brasil, onde fizemos um teste de um mês para apoiar mulheres desempregadas. Além disso, temos feito parcerias com escolas de programação, a Wild Code School, por exemplo, para podermos receber apoio tecnológico, com custos reduzidos. O desafio tem sido tentar escalar da forma mais eficiente possível.

O preço mínimo da sessão na app são 15 euros, mas a empresa está a oferecer 150 subscrições mensais no primeiro mês.

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