Dívida de estudantes e organismos à Universidade de Cabo Verde ronda um milhão de euros

A reitora da UNICV, Judite de Nascimento, anunciou que estão a ser traçadas estratégias, “menos flexíveis” de cobranças das dívidas.

Cristina Bernardo

A Universidade Pública de Cabo Verde (UNICV) começa o ano letivo com uma dívida a rondar 150 milhões de escudos (1 milhão e 360 mil euros). A reitora da UNICV, Judite de Nascimento, anunciou que estão a ser traçadas estratégias, “menos flexíveis” de cobranças das dívidas.

A reitora da UNICV, que falava aos jornalistas à margem da sessão solene de abertura do ano letivo, que decorreu no auditório da UNICV, sob o lema “Tu fazes a UNICV”, realçou que a universidade será precisa fazer estas cobranças, uma vez que a liquidação das dívidas vai ajudar a instituição a “manter algum equilíbrio”.

De acordo com a reitora, é objetivo da universidade pública ajudar no máximo a “permanência dos estudantes no estabelecimento de ensino”, mas este ano letivo vão delinear estratégias “menos flexíveis”, que passa por um “maior rigor no cumprimento das contrapartidas que os estudantes devem dar à instituição”.

Questionada sobre quais são estas medidas, Judite de Nascimento aponta que dentro das estratégias estão “a pensar criar períodos mais curtos de negociações e discutir com os nossos parceiros, no sentido de aumentar a oportunidade dos estudantes terem acesso a financiamento – ou seja, criar um sistema que nos permita apoiar os estudantes através das parcerias que iremos desenvolver e sermos mais rigorosos naquilo que são os planos de pagamento”.

Contas feitas em 2016 apontam, segundo a reitora da UNICV, para que cada estudante custe à universidade 190 euros. No entanto, cada estudante paga à volta de 80 euros de propina, sendo que o resto é assumido pela própria instituição. Um “custo elevado” concluiu Judite Nascimento tendo em conta que, além dos cursos, a universidade tem outras valências que custam muito caro.

A reitora da UNICV adiantou ainda que a universidade tem um orçamento deficitário, uma vez que do custo total o Estado, através do governo, entra com 34%, com um financiamento anual de 2 milhões e meio de euros, as propinas cobrem 47% significando que a universidade “vive com um deficit de 20%”.

Deficit que o governo está disposto a analisar avançou o secretário de Estado para Educação, Amadeu da Cruz, que presidiu a sessão solene de abertura do ano letivo da UNICV.

De acordo com Amadeu Cruz, há um contrato-programa que está a ser elaborado, com uma vigência de quatro anos, que irá regular o relacionamento entre o Estado e a Universidade Pública.

O contrato, a ser celebrado brevemente entre o Ministro das Finanças e a ministra da Educação vai determinar “se há défice, a causa desse défice e se se trata de um défice conjuntural ou estrutural. Se for um défice estrutural o Estado tem que intervir para ajustar e resolver”, salientou Amadeu Cruz.

Até ao momento estão inscritos dois e 500 alunos. A UNICV abriu um período de negociação das dívidas dos alunos, com propinas dos anos anteriores em atraso, o que significa de acordo com a reitora Judite de Nascimento que o número de estudantes irá aumentar.

Para este ano letivo, a Universidade Pública não abriu nenhum curso novo. A reitora Judite de Nascimento destaca a colocação, na Universidade de Coimbra, de 19 estudantes de medicina do ciclo de mestrado integrado como um dos grandes ganhos do novo ano letivo.

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