Dombrovskis: riscos estão a aumentar e a afetar o ritmo da atividade económica na zona euro

Relatório de outono da Comissão Europeia revê em baixa ligeira previsões de crescimento da zona euro para 1,9% no próximo ano e para 1,7% em 2020, depois da recuperação para 2,4% em 2017. Incerteza no cenário internacional e aumento do preço do petróleo pressionam dinamismo da economia.

O crescimento económico da zona euro deverá abrandar este ano e de forma mais acentuada nos próximos dois anos, pressionado pela incerteza internacional e os preços do petróleo. A Comissão Europeia (CE) revê assim, em baixa ligeira, o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) face às previsões de primavera.

Segundo as estimativas da CE, publicadas esta quinta-feira, dia 8 de novembro, no Autumn 2018 Economic Forecast, o crescimento da zona euro deverá abrandar para 1,9% no próximo ano e para 1,7% em 2020, depois da recuperação para 2,4% em 2017. No relatório de primavera, Bruxelas previa um crescimento para a zona euro de 2.3% em 2018 e 2% no próximo ano.

“Prevê-se que o crescimento económico da área do euro diminua de um nível que atingiu um ponto culminante em 10 anos de 2,4 % em 2017 para 2,1 % em 2018, antes de baixar novamente para 1,9 % em 2019 e 1,7 % em 2020”, pode ler-se no relatório da instituição europeia, que aponta os factores externos como os principais factores de pressão, nomeadamente as tensões comerciais e o aumento do preço do petróleo.

Neste sentido, o Comissário Europeu Pierre Moscovici, responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira, disse que “a economia europeia está a resistir bem, verificando-se uma diminuição gradual do crescimento”.

“Este ritmo deverá previsivelmente continuar nos próximos dois anos, e o desemprego continua a diminuir para níveis inexistentes antes da crise. A dívida pública da área do euro deverá continuar a diminuir, permanecendo o défice a um nível bastante inferior a 1 % do PIB. Num contexto internacional cada vez mais incerto, os responsáveis políticos, tanto em Bruxelas como nas capitais nacionais, devem envidar esforços para assegurar que a área do euro seja suficientemente forte para fazer face à evolução futura”, salientou.

“Apesar de um contexto mais incerto, prevê-se que todos os Estados-Membros continuem a crescer, embora a um ritmo mais lento, graças à força do consumo interno e do investimento. Na ausência de grandes choques, a Europa deve conseguir um crescimento económico acima do nível potencial, a criação robusta de postos de trabalho e a diminuição do desemprego”, acrescenta. No entanto, sublinha que “este cenário de base está sujeito a um número crescente de riscos interligados de revisão em baixa”.

Também o vice-presidente Valdis Dombrovskis, responsável pelo euro e diálogo social, bem como pela estabilidade financeira, serviços financeiros e união dos mercados de capitais, afirmou que “todas as economias da União Europeia (UE) deverão crescer neste ano e no próximo, sendo assim criado mais postos de trabalho”. Reconheceu no entanto, que a incerteza e os riscos, tanto externos como internos, “estão a aumentar e a começar a afetar o ritmo da atividade económica”.

“Temos de permanecer vigilantes e trabalhar mais afincadamente para reforçar a capacidade de resistência das nossas economias. A nível da UE, isso significa tomar decisões concretas para o reforço adicional da União Económica e Monetária. A nível nacional, é ainda mais premente a criação de reservas orçamentais e a redução da dívida, garantindo ao mesmo tempo que os benefícios do crescimento são também sentidos pelos membros mais vulneráveis da sociedade”, alertou.

Bruxelas sublinha que “os motores do crescimento deverão tornar-se cada vez mais nacionais”, com o consumo privado a “beneficiar de um maior crescimento dos salários e de medidas orçamentais em alguns Estados-Membros”.

“As condições de financiamento e as elevadas taxas de utilização da capacidade deverão continuar a apoiar o investimento. Pela primeira vez desde 2007, prevê-se que o investimento aumente em todos os Estados-Membros em 2019”, pode ler-se no relatório.

Riscos externos

Bruxelas assinala ainda que “um sobreaquecimento nos EUA, alimentado por um estímulo orçamental pró-cíclico, poderá conduzir a taxas de juro em subida mais rápida do que o previsto, o que terá numerosas repercussões negativas para além dos EUA, em especial nos mercados emergentes, que são vulneráveis à evolução dos fluxos de capitais e estão expostos à dívida expressa em dólares americanos”.

A CE considera que este cenário poderia agravar as tensões nos mercados financeiros, cujo impacto se estenderia à UE, devido à exposição à banca.

“Na UE, as dúvidas sobre a qualidade e a sustentabilidade das finanças públicas nos Estados-Membros altamente endividados podem repercutir-se nos setores bancários nacionais, aumentando as preocupações em matéria de estabilidade Brexit.

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