A economia da China desacelerou para o nível mais baixo desde que os dados trimestrais começaram a ser divulgados em 1992, segundo revela a agência “Bloomberg” esta segunda-feira.
Um dos principais fatores para este resultado deve-se ao impasse comercial das negociações com os Estados Unidos. O Produto Interno Bruto (PIB) subiu 6,2% entre de abril e junho do ano anterior, face aos 6,4% verificados no primeiro trimestre do mesmo ano.
Em junho de 2019 a produção industrial e o crescimento das vendas no setor do retalho superaram as estimativas, enquanto o investimento no primeiro semestre do ano, mostrou sinais de que as medidas de estímulo para conter a desaceleração estão a consolidar-se.
Esta desaceleração acentua a pressão que os legisladores chineses enfrentam à medida que tentam negociar um acordo com os Estados Unidos sobre o comércio, ao mesmo tempo que a economia dá mais um passo rumo à desaceleração a longo prazo, face ao crescimento que se verificou em meados dos anos 2000.
Embora os negociadores chineses estejam em conversações com os Estados Unidos, não existem certezas de que o acordo será concluído a tempo de evitar mais danos económicos.
“Continuamos a ver o crescimento do segundo trimestre a desacelerar, mas acho que estamos a ver uma estabilização”, afirmou Wang Tao, responsável da economia chinesa em entrevista à “Bloomberg TV”, na qual salientou que “o banco central precisa de ser um pouco mais proativo”.
As exportações líquidas contribuíram com 20,7% para o crescimento da produção no primeiro semestre, em relação aos 22,8% do primeiro trimestre. Já a taxa de desemprego subiu ligeiramente dos 5,0% para os 5,1%.
No que diz respeito ao setor do retalho os resultados foram melhores do que o esperado e dão credibilidade à ideia de que a estabilização poderá acontecer no segundo semestre deste ano. Embora as previsões sejam instáveis, o crescimento mais rápido das vendas de bens de consumo, eletrodomésticos e móveis também apontam para uma modesta recuperação em curso no setor imobiliário.
O resultado geral das vendas no retalho também foi impulsionado pelo crescimento acentuado das vendas de automóveis, embora com fortes descontos que atraíram compradores no passado mês de junho. Foi ainda criado um plano de estímulo fiscal onde estão incluídos perto de 260 mil milhões de euros em cortes de impostos. O Governo chinês prometeu também renovar milhares de edifícios antigos.
