Economia do Reino Unido cresce ao ritmo mais lento desde 2012

Recuo na produção industrial e automóvel ditou crescimento de 1,4% do PIB em 2018, abaixo dos 1,8% no ano anterior.

Andrew Boyers / Reuters

No ano passado, a economia britânica cresceu ao ritmo anual mais baixo em seis anos em 2018 numa altura em que o contexto político está marcado por incertezas quanto ao ‘Brexit’ e que a economia global dá sinais de mais fraqueza. O Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido registou uma forte contratação no passado mês de dezembro, terminando o ano nos 1,4%, quando no período homólogo tinha sido de 1,8%, de acordo com a informação divulgada esta segunda-feira pelo Office for National Statistics (ONS).

Trata-se do crescimento mais lento desde 2012 e deveu-se sobretudo a uma produção industrial mais lenta e à desaceleração na produção de carros, segundo o gabinete de estatísticas britânico. No quarto e último trimestre de 2018, o crescimento economia do Reino Unido também desacelerou, para 0,2%, quando nos três meses anteriores, até setembro, tinha assinalado 0,6%.

“O PIB desacelerou nos últimos três meses do ano, com a indústria automóvel e os produtos de aço a registar quedas íngremes e a construção igualmente a cair. Contudo, os serviços continuaram a crescer, com o setor da saúde, consultoria de gestão e tecnologias da informação bem”, disse Rob Kent-Smith, responsável de Contas Nacionais da ONS.

“A fragilidade da economia europeia é cada vez mais visível e isto deverá acentuar a separação a favor de Wall Street. Continuamos a preferir a bolsa americana à europeia. Os dados europeus recentes tornaram evidente que a Europa está realmente em desaceleração e isto deverá favorecer o avanço em solitário de Wall Street”, referem os analistas do Bankinter, na “Estratégia de Investimento Semanal”, publicada esta manhã.

Ainda assim, a bolsa de Londres está a negociar em terreno positivo. Cerca de uma hora após a divulgação destes números, o índice FSTE 100 subia 1%, para 7.141,98 pontos, impulsionado pelas subidas de cotadas como a British American Tobacco (+2,40%), a HSBC (+1,68%) ou a WPP (+1,89%).

Quanto ao mercado cambial, nota para depreciação da libra face ao dólar norte-americano (-0,39%, para 1,2897). Já o euro também está a valer mais do que a moeda de Inglaterra, estando a subir 0,18%, para 0,8761.

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