Efeitos colaterais num produto estratégico

Trump ameaçou aumentar as taxas sobre os vinhos franceses, entre 317 outros produtos europeus, pelo que é quase inevitável que o mesmo venha a acontecer aos vinhos portugueses.

O mundo dos negócios é desafiante, mais a mais quando pensamos e atuamos no mercado global e com tantas e tantas variáveis.

Mas se é desafiante é também bem complicado, pois como não depende apenas de nós, da nossa estratégia e da nossa vontade, obriga-nos a acompanhar e a estar atentos a todos os pequenos detalhes da vida económica e política. As condicionantes externas são uma realidade mesmo quando falamos de mercados internos, mas passam a múltiplas quando falamos do mundo.

O caminho que temos vindo a traçar na Adega de Monção, com uma cada vez maior apetência pela exportação e nomeadamente pelo mercado americano, leva-nos a acompanhar não só a evolução dos hábitos de consumo dos nossos consumidores e potenciais consumidores, mas também todas as variáveis económicas e legislativas do país.

Para qualquer decisor é fundamental a estabilidade fiscal, a estabilidade legislativa e claro a estabilidade económica e governamental do mercado.

A decisão de entrada num determinado mercado e qual o preço a praticar é o resultado de todas estas condicionantes, ao que se soma inevitavelmente a concorrência. E, assim sendo, a recente guerra comercial que o presidente americano desencadeou inicialmente com a China mas agora, em particular, com os produtos europeus é merecedora da nossa atenção e preocupação.

Ao ameaçar aumentar as taxas, por exemplo, sobre os vinhos franceses em virtude da “zanga” com Macron que tem publicamente manifestado através de sucessivos tweets, entre 317 outros produtos europeus, é quase inevitável que o mesmo venha a acontecer aos nossos vinhos, o que fará aumentar os preços finais ao consumidor que, por sua vez, terá seguramente consequências negativas no seu comportamento.

O mercado americano representa hoje 20% das exportações de vinho verde, e no caso concreto da Adega de Monção é já o segundo mercado e com um potencial de crescimento muito elevado. Esta apetência pelos nossos vinhos é fomentada sobretudo pela imagem de qualidade que, no seu todo, os vinhos portugueses têm conquistado, mas também pela adequação do nosso produto ao palato e perfil do consumidor americano – jovem e aberto a vinhos mais frescos.

A aposta no mercado americano é, por isso mesmo, estratégica para os nossos produtos, como o demonstra a apresentação que decorre por estes dias em Nova Iorque, onde a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes – CVRVV exibe vinhos da sub-região de Monção e Melgaço e onde marcam presença os vinhos da Adega de Monção.

De momento não nos resta nada mais do que continuar a produzir e promover um produto de altíssima qualidade, a manter-nos firmes no nosso propósito de aumentar as exportações, esperando que a turbulência provocada por estas notícias não passe de uma ameaça e que seja possível voltarmos a ter estabilidade no mercado global.

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