Eficiência na gestão da tesouraria em tempos de incerteza


Aquela a que já se designa por segunda fase da pandemia coloca mais uma vez desafios à gestão das empresas, expondo-as a uma série de riscos estratégicos, operacionais e de tesouraria.

Façamos um breve um recuo histórico e recordemos as últimas grandes crises, pois podem dar-nos um importante insight sobre o que vai acontecer no futuro e, dessa forma, anteciparmos medidas. As necessidades de financiamento das empresas aumentam com as crises económicas e, apesar de haver menos investimento e, portanto, menor necessidade de financiamento, essa redução não compensa a diminuição da atividade económica.

No que às questões de tesouraria diz respeito, o que é esperado é que se repita o que aconteceu na crise financeira de 2008 e, mais tarde, aquando do pedido de ajuda externa feito por Portugal em 2011: um aumento dos prazos médios de pagamentos e recebimentos. Para as empresas, esta é uma forma de financiamento e é expectável que, tal como noutros tempos aconteceu, estas voltem, nos próximos meses, a recorrer a esta via junto dos seus fornecedores.

É, por isso, extremamente importante que as empresas tenham cenários de contingência para antecipar este tipo de evoluções e respetivos impactos em termos de liquidez. Face às crises anteriores já referidas, o papel do Estado tem, felizmente, sido mais célere, com medidas que, mesmo que sejam limitadas, ajudam a criar uma almofada, nomeadamente via layoff, para prevenir a destruição de tecido económico viável. É crucial que estas empresas possam continuar, com a sua estrutura de know-how e de trabalho para recuperarem mais rapidamente.

Mas a verdade é que os próximos tempos são incertos, quer quanto ao que será a evolução económica quer quanto à manutenção ou não destes apoios do Estado, o que vai afetar o tipo de planos que as empresas terão de fazer. Assim, é fundamental que estas tenham visibilidade e capacidade de antecipação, o que se traduz em melhor preparação. Isto é válido para todas as áreas de uma empresa, mas aqui falamos sobretudo da tesouraria, nomeadamente por força do impacto dos tempos que vivemos em termos de défice de liquidez.

A importância do financiamento

Se olharmos para as ferramentas de financiamento que hoje em dia existem e para as quais as empresas estão a olhar, e excetuando os instrumentos tradicionais, podemos categorizá-las em várias tipologias.

Uma delas são os instrumentos de promoção do acesso à liquidez. Aí temos as aberturas das linhas de crédito com juro bonificado e as garantias estatais, a concessão de crédito por bancos ou os adiantamentos por conta de fundos comunitários. Temos um segundo grupo que visa minimizar os encargos financeiros das empresas e onde estão medidas estatais como o adiamento das prestações da Segurança Social ou moratórias que possam existir. Depois temos a promoção das relações de trabalho. Ainda que, quando falamos do layoff simplificado ou do layoff parcial, não sabemos até quando se vai manter. Nem como é que se vai descontinuar e com que impacto para as empresas. E depois temos um quarto grande grupo: a otimização de custos e reestruturação, onde estão medidas de análise e decisão que as empresas tomam sobre si próprias e que, como em todas as crises acontece, passam pelo foco nas atividades core, pela redução dos custos salariais, pela negociação dos prazos com parceiros e pela venda de ativos.

A evolução dos Treasury Management Systems

Nunca é demais referir a importância da digitalização na gestão da tesouraria das empresas, concretizada em sistemas de informação e em processos de trabalho que estejam orientados para uma melhor produtividade e para uma redução de custos. A evolução dos Treasury Management Systems (TMS), ou plataformas de gestão de tesouraria, tem seguido essa linha. O que se perspetiva nos próximos meses é que aquilo que se estimava que fosse demorar dois, três ou quatro anos vai acelerar. As empresas vão querer, nos próximos meses, reduzir tudo o que sejam processos manuais, diminuir as equipas, automatizando os processos e ganhar controlo e visibilidade, tendo os sistemas integrados. Poder ter uma posição de tesouraria acertada logo às dez da manhã é absolutamente crítico para se poder tomar decisões. Atualmente, no espaço de duas semanas, por exemplo, tudo se pode alterar de uma forma radical.

A gestão de tesouraria é uma área absolutamente crítica e estratégica nas empresas. As empresas, mesmo que tenham um valor acrescentado extremamente forte, precisam sempre – e sobretudo nestas alturas – de ter um suporte financeiro que lhes permita continuar a operar.

O futuro próximo

O cash e a liquidez são e serão absolutamente chave nos próximos tempos. O que se pretende de uma boa gestão de tesouraria é eficiência, controlo de custos, visibilidade e suporte estratégico ao negócio.

As empresas pretendem ter mais controlo, melhor capacidade de gestão e mais produtividade. Maior controlo, nomeadamente via análise de liquidez, controlo de custos bancários, mitigação de riscos e previsão de cash flows em tempo real. Melhorias na capacidade gestão, o que passa, por exemplo, por uma otimização da gestão bancária, pela gestão de instrumentos financeiros ou pelo inhouse banking. Maior produtividade, através de uma gestão centralizada, de uma integração multi-sistemas ou de uma automatização do processo de reconciliação, entre várias outras ferramentas. As soluções de tesouraria têm de ajudar as empresas a fazer a transição para a economia digital.

 

Este conteúdo patrocinado foi produzido em colaboração com a SAGE.

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