Eleições em Espanha: Condenado independentista catalão defende intervenção de Portugal

Jordi Cuitxard, antigo presidente da associação catalã Òmnium Cultural, encontra-se preso na cadeia de Lledoners, Catalunha, pelo crime de sedição no Processo independentista e recorda o apoio de personalidades portuguesas que pediram “amnistia” para aqueles que considera “presos políticos”.

O ativista Jordi Cuitxart, condenado a nove anos de cadeia pelo delito de sedição no âmbito do Processo independentista catalão, defendeu à Lusa que Portugal deveria discretamente incentivar o Estado espanhol a dialogar com o Governo autónomo.

“É evidente que gostaríamos que Portugal, de forma discreta, animasse o Governo espanhol a priorizar o diálogo e a negociação com o Governo catalão”, afirmou Cuitxard, em repsosta às questões enviadas pela agência Lusa.

Jordi Cuitxard, antigo presidente da associação catalã Òmnium Cultural, encontra-se preso na cadeia de Lledoners, Catalunha, pelo crime de sedição no Processo independentista e recorda o apoio de personalidades portuguesas que pediram “amnistia” para aqueles que considera “presos políticos”.

“De facto, estamos muito agradecidos pelo facto de mais de 200 personalidades portuguesas terem assinado recentemente um manifesto a favor da amnistia para com os presos políticos catalães”, comentou.

Para Jordi Cuitxart, a sentença do Tribunal Supremo, em outubro, provocou uma onda de “indignação” nas ruas da Catalunha e também em várias cidades do “Estado espanhol”.

“Também mobilizou entidades que defendem os direitos humanos, inclusivamente sindicatos e organizações que defendem o direito à habitação e que viram na sentença uma ameaça alarmante contra o direito de manifestação”, considerou, acrescentando que compreende os protestos.

“Se um Estado condena a prisão aqueles que exercem este direito de protesto e à dissidência, a mobilização cidadã é a melhor notícia para a proteção desses direitos e é a pior notícia para um Estado em plena deriva autoritária”, afirma.

Para o independentista catalão o referendo realizado no dia 01 de outubro de 2017 não constituiu uma ilegalidade e apesar da sentença do Tribunal Supremo, considera que as manifestações têm como propósito responder ao que considera “deriva autoritária”.

“Se um Estado condena a prisão aqueles que exercem este direito de protesto e à dissidência, a mobilização cidadã é a melhor notícia para a proteção desses direitos e a pior notícia para um Estado em plena deriva autoritária”, disse ainda Jordi Cuitxart.

No âmbito do Processo independentista catalão o Tribunal Supremo condenou a 13 anos de prisão o ex-vice-presidente da comunidade autónoma da Catalunha Oriol Junqueras e a penas de até 12 anos outros oito protagonistas políticos culpados de sedição e desvio de fundos públicos no processo através do qual procuraram conseguir a independência da região em 2017.

Três antigos conselheiros do governo autónomo catalão foram condenados a 12 anos de prisão por sedição e desvio: Raül Romeva, Jordi Turull e Dolors Bassa; enquanto os Joaquim Forn e Josep Turull cumprem 10 anos por sedição.

A ex-presidente do Parlamento autónomo catalão Carme Forcdell foi condenada a uma pena de 11 anos e 6 meses, enquanto os líderes de associações independentistas Jordi Sánchez e Jordi Cuixart foram condenados a 9 anos de prisão, todos por um delito de sedição.

 

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