Em memória de George Bush. Hoje não se negoceia em Wall Street

Nos EUA, é tradição que os mercados financeiros encerrem após o falecimento de um ex-presidente. A última vez que tal aconteceu foi em janeiro de 2007, após a morte de Gerald Ford.

Os mercados norte-americanos estão hoje fechados depois do presidente dos EUA, Donald Trump, ter declarado Dia de Luto Nacional em homenagem a George Bush que faleceu na passada sexta-feira aos 94 anos de idade.

“Nesta vida dedicada em pleno ao serviço do país, recordaremos o presidente Bush pela sua dedicação à família, especialmente ao amor de sua vida, Barbara, referiu Donald Trump em comunicado.

Nos EUA, é tradição que os mercados financeiros encerrem após o falecimento de um ex-presidente. A última vez que tal aconteceu foi em janeiro de 2007, após a morte de Gerald Ford.

De herói militar a Presidente dos Estados Unidos

Filho de um senador e pai de um chefe de Estado, George W. Bush, o 41.º Presidente norte-americano foi também congressista, embaixador na ONU, líder do Partido Republicano, enviado à China, diretor da CIA [serviços secretos norte-americanos] e ‘vice’ nos dois mandatos do popular e também republicano Ronald Reagan.

A Guerra do Golfo de 1991 alimentou a sua popularidade. Mas o mandato de Bush ficou marcado pela decisão de quebrar um voto solene que fez aos eleitores: “Leiam os meus lábios: Não há novos impostos”, disse então, numa frase que ficou para a memória dos norte-americanos.

Bush perdeu a reeleição para Bill Clinton, numa campanha na qual o empresário H. Ross Perot obteve quase 19% dos votos como candidato independente. Ainda assim, viveu para ver o filho, George W., duas vezes eleito para a presidência. Um ‘feito’ que na história dos EUA só tinha acontecido com John Adams (pai) e John Quincy Adams (filho).

Após a derrota em 1992, George H.W. Bush afirmou que “os mitos” criados pelos ‘media’ deram aos eleitores uma impressão errada de que ele não se identificava com as vidas dos norte-americanos comuns e justificou a derrota por “não ser um bom comunicador”.

Uma vez fora da Casa Branca, Bush fez sempre questão de permanecer à margem, com poucas aparições públicas, à eceção de um ou outro discurso ocasional ou visitas ao exterior.

Apoiou Clinton no Acordo de Livre Comércio da América do Norte, que teve origem durante a sua própria presidência, visitou o Médio Oriente, onde chegou a ser elogiado pela defesa do Kuwait e, quando regressou à China, foi recebido como “um velho amigo” pelos seus dias como embaixador dos EUA em Pequim.

Mais tarde, voltou a juntar-se a Clinton para arrecadar dezenas de milhões de dólares para as vítimas do tsunami de 2004 no oceano Índico e do furacão Katrina, que inundou Nova Orleães e a costa do Golfo em 2005.

“Quem teria pensado que eu estaria a trabalhar, entre todas as pessoas, com Bill Clinton?”, brincou Bush em outubro de 2005.

No período pós-presidencial, recuperou a popularidade, deixando a reputação um líder fundamentalmente decente e bem-intencionado que, embora não fosse um grande orador ou um visionário sonhador, era um humanitário inabalável.

Depois da invasão do Kuwait pelas tropas do Iraque, em agosto de 1990, Bush rapidamente começou a construir uma coligação militar internacional que incluía outros Estados árabes.

Depois de libertar o Kuwait, rejeitou as sugestões de que os EUA deveriam levar a ofensiva a Bagdade, optando por acabar com as hostilidades apenas cem horas após o início da guerra terrestre.

“Esse não era o nosso objetivo”, disse o próprio à agência de notícias Associated Press em 2011, no gabinete, a poucos quarteirões da sua casa em Houston. “O bom é que se perderam menos vidas humanas do que inicialmente previsto e, de facto, do que poderíamos ter temido”.

Contudo, a derrota militar iraquiana não levou à queda do regime, como muitos na Administração norte-americana esperavam.

“Calculei mal”, reconheceu Bush. O seu legado foi assombrado durante anos pelas dúvidas sobre a decisão de não derrubar Saddam Hussein. O líder iraquiano acabou por ser deposto em 2003, na guerra liderada pelo próprio filho George W. Bush.

George H.W. Bush entrou na Casa Branca em 1989 com a reputação de homem indeciso e indeterminado, mas o trabalho árduo que desenvolveu durante a presidência ganhou ampla aprovação pública. Em alguns períodos, Bush fazia mais conferências de imprensa num mês do que o antecessor, Reagan, num ano.

A crise do Iraque de 1990-91 trouxe à tona todas as competências que Bush aperfeiçoou num quarto de século de política e serviço público.

Depois de conquistar o apoio da ONU e a “luz verde” de um Congresso relutante, Bush desencadeou uma guerra aérea contra o Iraque e desfrutou, posteriormente, da maior onda de patriotismo e de orgulho dos militares norte-americanos desde a Segunda Guerra Mundial, com os índices de aprovação a subirem quase para os 90%.

As outras batalhas que travou como Presidente, incluindo uma guerra contra a droga e uma cruzada para tornar as crianças norte-americanas nas mais instruídas do mundo, não foram tão decisivamente conquistadas.

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