Empresas europeias vão pagar 359 mil milhões em dividendos este ano, diz a Allianz GI

Num mundo de ‘yields’ negativas, a ‘caça’ pelos retornos é cada vez mais difícil, e é por isso que os dividendos estão a receber mais atenção, explica um estudo da Allianz Global Investors. Na Europa, o valor dos dividendos deverá estabelecer um novo recorde este ano.

As empresas europeias deverão pagar dividendos de cerca de 359 mil milhões de euros em 2020, um aumento de 3,6% para estabelecer um novo recorde pelo segundo ano seguido, impulsionado pela atenção especial dada à remuneração acionista num ambiente de taxas de juro negativas, segundo um estudo da gestora de ativos Allianz Global Investor (GI).

“As yields das obrigações estão atualmente em terreno negativo profundo”, explica a gestora no estudo ‘Generating Capital Income with Dividends’ (‘Gerar Rendimentos de Capitais com Dividendos), realçando que quase 25% do saldo vivo da dívida a nível global tem yield nominal negativa e que na Alemanha as yields estão abaixo de zero em cerca de 90% das obrigações soberanas por amortizar, enquanto a essa percentagem na zona euro é de 60%.

Em contraste, o dividend yield, ou seja, o rácio do dividendo face à cotação das ações das empresas europeias estava, no início de dezembro de 2019, nos 3,7%.

“Como alternativa à falta de taxas de juros, os dividendos podem estabilizar a carteira de um investidor de três maneiras: como fonte regular de receita, como indicador de um modelo de negócio robusto e para a diversificação da carteira”, vinca Hans-Jörg Naumer, diretor de Global Capital Markets & Thematic Research da Allianz GI.

O estudo sublinha que as empresas europeias “provaram em repetidas ocasiões ser particularmente favoráveis aos dividendos em comparação com o resto das empresas internacionais”.

“O dividend yield no índice MCSI-USA parece realmente modesto em comparação, embora tenha de se ter em mente que as empresas americanas, ao contrário das europeias, têm uma tendência mais forte de lançar programas de programas de recompra de ações do que de pagar dividendos”, acrescenta.

“Programas de recompras são, no entanto, nada mais que lucros empresariais a serem pagos a um circulo  mais pequeno e residual de acionistas”, vinca.

Soma excede orçamento federal alemão

Jörg de Vries-Hippen, CIO Equity Europe da gestora comenta que  apesar dos riscos relacionados com o protecionismo, o crescimento económico global conseguiu permanecer num caminho de crescimento moderado, graças à continuação da política monetária expansiva dos bancos centrais.

“A questão sobre quão estável é o caminho vai acompanhar-nos na nova década, bem como a certeza de que permanece irrealista um aumento das taxas de juros,” adianta.

Para este responsável, ser ativo e ter uma visão de futuro num ambiente estável de dividendos permanece, portanto, a máxima para o próximo ano: “A soma do desembolso esperado de 359 mil milhões de euros excede o orçamento federal alemão do ano passado. Este é um forte sinal para uma sólida base económica na Europa.”

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