Empresas portuguesas ainda não desistiram do Irão

A Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa mantém uma viagem empresarial a Teerão, apesar das sanções económicas americanas.

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Depois do sucesso das cinco missões realizadas em 2016 e 2017, a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) “volta ao Irão para posicionar as empresas portuguesas neste mercado, a segunda maior economia do Médio Oriente, apenas ultrapassada pela Arábia Saudita”, e o segundo país mais populoso da região, depois do Egito. O problema é que desde 7 de agosto que os Estados Unidos impuseram sanções económicas a Teerão, extensíveis às empresas, sejam elas de onde forem, que mantiverem contactos com o Irão. Na prática, qualquer empresa que mantenha como cliente ou como fornecedor empresas iranianas passa automaticamente a estar proibida de estabelecer ou manter negócios com os Estados Unidos.

A União Europeia decretou uma espécie de “embargo ao embargo”, depois de colocar em vigor a legislação de bloqueio, que permite às empresas afetadas pela decisão de Washington serem ressarcidas de eventuais perdas – e manifestou intenção política de continuar a incentivar as relações comerciais (e outras) entre os dois blocos económicos.

A questão que se coloca às empresas portuguesas que mantêm interesse num mercado necessariamente pequeno, o iraniano, em detrimento da poderosa economia de consumo dos Estados Unidos, é que “ainda é um pouco cedo para saber se as empresas portuguesas vão continuar a aderir às viagens empresariais ao Irão”, disse ao Jornal Económico o presidente da CCIP, Bruno Bobone. “As empresas vão manter as expetativas e, provavelmente, decidir em cima da hora”, disse, para confirmar que a “perspetiva é continuar” a explorar as potencialidades daquele mercado.

A viagem está marcada para outubro, mas as inscrições encerram a 5 de setembro e as desistências são aceites até 21, com um reembolso de 25% da inscrição. A realização da missão empresarial “poderá implicar um número mínimo de sete empresas participantes”, diz a organização. A seguir à inscrição, as empresas serão “contactadas para validação da viabilidade e adequação do perfil empresarial ao mercado iraniano”.

 

A norte nada de novo

Mais a norte, as empresas parecem ter desistido do Irão bem antes de os Estados Unidos terem decretado o regresso do embargo económico. A Associação Empresarial de Portugal (AEP) organiza viagens empresariais ao Irão desde 2009, ano em que 17 empresas se prontificaram a conhecer aquele mercado. Algumas delas são bem conhecidas: Bial, Amorim Cork, Cifial, Frasa, CIN, Sovena e até a sociedade de advogados SRS.

Nenhuma destas empresas repetiu a viagem no ano seguinte – nem o número de empresas participantes voltou a ser tão alto ou os seus nomes tão sonantes. Até que a viagem prevista para 2017 acabou por não se realizar por falta de interessados, disse ao Jornal Económico fonte oficial da associação. O mesmo aconteceu com a participação numa feira que se realizou nesse ano e nas duas do ano seguinte, altura em que a associação optou por já não organizar qualquer viagem.

Muito mais prudente, a AEP não tem prevista qualquer viagem de negócios para Teerão este ano nem no próximo, e do calendário (que não está fechado) consta apenas a possibilidade de os sócios da organização se deslocarem a Teerão em abril de 2020 em mais uma missão empresarial.

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