Crescimento económico pode chegar a 3,4%

INE vai revelar esta segunda-feira o PIB do 2º trimestre. Analistas antecipam ao Económico que, no cenário mais benigno, o país tenha crescido 3,4%. Mas há quem tema impacto negativo das importações.

Depois da descida da taxa de desemprego para 8,8%, anunciada esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a economia vai continuar a dar boas novas esta segunda-feira, quando for revelado o crescimento do PIB no segundo trimestre. Segundo estimativas de economistas contactados pelo Jornal Económico, o crescimento poderá ter atingido 3,4% em termos homólogos, no cenário mais benigno. No pior, Portugal desacelera devido ao impacto negativo do aumento das importações.

A previsão mais otimista pertence ao economista-chefe do Santander Totta, Rui Constantino, que antecipa que o PIB terá crescido 0,8% em cadeia e 3,4% em termos homólogos. Caso se confirme esta projeção, será “o ritmo mais dinâmico desde o final de 2000, prolongando assim o bom momento iniciado no segundo semestre de 2016”, indica.

O crescimento terá beneficiado do dinamismo das exportações, tanto de bens como de serviços, e do investimento. “O consumo privado terá permanecido dinâmico, mas crescendo ligeiramente abaixo do PIB, com níveis sustentados de despesa em bens duradouros, e apoiado na descida do desemprego”, acrescenta o economista.

Já o economista-chefe do Montepio, Rui Serra, aponta para um crescimento homólogo de 2,9% – ainda assim uma aceleração face aos 2,8% registados no primeiro trimestre. O montepio PIB aponta para uma expansão em cadeia de 0,3%, “suportada apenas pela procura interna, em concreto pelo consumo privado e pelo investimento em capital fixo, com as exportações líquidas a deverem ter regressado aos contributos negativos, após um forte contributo positivo no início do ano”, justifica.

O BCP é o menos otimista. Antecipa que o PIB creça 0,2% em cadeia, o que representaria uma “considerável desaceleração face à expansão de 1,0% no período anterior”, frisa numa nota de análise o economista-chefe do banco, José Maria Brandão de Brito.

Em termos homólogos, é esperado um “recuo marginal do ritmo de expansão, de 2,8% para 2,7%. “Esta perspetiva de queda do crescimento decorre da projeção de um contributo negativo da procura externa líquida, determinado por uma expansão das importações claramente superior à das exportações”, justifica Brandão de Brito.
Contudo, acrescenta, a “solidez da dinâmica subjacente da economia sugere o prolongamento da trajetória de recuperação da atividade nos próximos trimestres, especialmente se o contexto externo prosseguir favorável”.

E o crescimento anual?

Em maio, numa entrevista à Reuters, o ministro das Finanças já tinha mostrado confiança na recuperação económica. “Todos os indicadores que temos do segundo trimestre mostram uma aceleração homóloga muito significativa do crescimento. Isso pode significar, por exemplo, e esse número vou arriscá-lo, que o crescimento do segundo trimestre venha a ser superior a 3% em termos homólogos dada a aceleração que estamos a assistir”, disse Mário Centeno.

Mas que efeitos terá o bom desempenho do Verão no total do ano? Para já, a própria previsão do Governo inscrita no Programa de Estabilidade apresentado em abril será largamente superada. Na altura, a equipa de Mário Centeno previa um crescimento de 1,8% este ano e esse valor deverá ser suplantado.

O Montepio conta com uma expansão do PIB de 2,5% em termos anuais e o Santander Totta antecipa um crescimento de 3%. O BPI, cujo Departamento de Estudos Económicos e Financeiros reviu recentemente em alta a previsão para este ano, está a meio: antecipa que o PIB cresça 2,8% no conjunto do ano, face à anterior projeção de 2,5%.

“Os sinais de recuperação económica iniciada em meados de 2016 têm ganho suporte, antecipando-se que o ritmo de crescimento da actividade alcance o patamar de 2.8% este ano, desacelerando ligeiramente para 2.2% em 2018”, indica uma análise do início de agosto, a que o Jornal Económico teve acesso.

O BPIjustifica as revisões com o consumo privado, o investimento e as exportações. No consumo, a dinâmica está ligada ao “bom momento” no mercado de trabalho, à subida “pouco acentuada” dos preços ao consumidor e à “evolução positiva do rendimento disponível, beneficiando da gradual redução da sobretaxa de IRS”.

No investimento, a “redução da incerteza política e o andamento favorável do sentimento dos empresários, transversal a todos os sectores, fazem prever uma expansão significativa” da formação Bruta de Capital Fixo, impulsionado também por “efeitos de base tendo em conta os mínimos alcançados em 2016”.

Costa otimista

Nas exportações, o aumento de vendas e os ganhos de quotas de mercado estão ligados a uma “recuperação cíclica” na Europa, destacando-se Espanha, e à retoma do comércio internacional.
A equipa liderada pela economista Paula Carvalho frisa, porém, que o cenário de crescimento de 2,8% este ano e de 2,2% no próximo comporta ainda “alguns riscos, associados sobretudo ao andamento das economias e dos mercados financeiros externos”. Contudo, os economistas do banco acreditam “que estes estão actualmente mais balanceados”.

Se se confirmarem as previsões do banco, “a riqueza gerada internamente regressará aos patamares máximos observados antes da crise financeira internacional, em meados de 2018, pontuando neste processo o avanço sustentado das exportações de bens e serviços.

O secretário-geral do PS e primeiro-ministro António Costa disse esta terça-feira, na Figueira da Foz, que 2017 vai ser “seguramente” o ano de maior crescimento económico desde o início do século. “Seguramente vai ser o ano de maior crescimento económico desde o princípio deste século”, disse António Costa na Figueira da Foz, num evento relacionado com as eleições autárquicas.

Artigo publicado na edição do Jornal Económico de 11 de agosto. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.

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