Estado entregou coleção de arte do Novo Banco ao fundo americano que comprou a instituição

Governo português deixou fugir a oportunidade de ficar com um espólio que inclui pinturas, fotografias e moedas raras avaliado em 50 milhões de euros, para o fundo de investimento Lone Star.

Cristina Bernardo

O Estado entregou a coleção de arte do Novo Banco, avaliada em 50 milhões de euros, ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, responsável pela compra da instituição financeira em outubro de 2017, revela o jornal “Público” esta sexta-feira.

O património cultural integra pinturas, moedas raras, uma fotografia contemporânea, livros quinhentistas e mapas portulanos, que equivale a 5% do que o fundo texano investiu na instituição presidida por António Ramalho e que, fora do perímetro público, fica à disposição da estratégia cultural de cada Governo.

Os valores de cada um destes objetos revelam o peso destas coleções: as moedas raras estão registadas por 29 milhões de euros, a fotografia contemporânea em 10 milhões de euros, as 94 pinturas e os quatro mapas portulanos por 10 milhões de euros, a que se juntam os 900 mil euros da Biblioteca de Estudos Humanísticos (Pina Martins), perfazendo os 50 milhões de euros, que representam 5% dos mil milhões de euros que o fundo americano injetou no Novo Banco para controlar 75% do seu capital.

De acordo com o “Público” os 50 milhões de euros contabilizados em bens culturais e artísticos ajudaram António Ramalho a valorizar o ativo do banco e a melhorar o capital. Contudo tudo podia ter sido diferente se as autoridades tivessem retirado do negócio o património cultural, principalmente, quando durante as conversações com Governo o fundo norte-americano condicionou a entrada na instituição ao apoio dos contribuintes até 3,9 milhões de euros, (tendo já sido injetados 790 milhões).