Estes animais podem prever o futuro e alertar para catástrofes naturais

O Projeto Ícaro quer utilizar animais como um sistema de aviso antecipado para terramotos e outros eventos, utilizando um conceito intitulado “movimento da ecologia”. O projeto tem voluntários por todo o mundo, fundos de 13 milhões de dólares e um satélite, que será lançado em outubro.

Martin Wikelski é um perito em migrações e o responsável pelo Projeto Ícaro, uma parceria entre o Max Planck Institute, o centro Aeroespacial da Alemanha e a Agência Espacial da Federação Russa, que pretende utilizar o conceito de “movimento da ecologia” para prever catástrofes naturais como terramotos e outros eventos similares.

A ideia é monitorizar os padrões de movimentação dos animais e relacioná-los com os eventos naturais, estabelecendo uma possível relação entre eles. Com os dados recolhidos, os cientistas envolvidos pretendem conceber um modelo computorizado que permita antecipar a ocorrência de uma catástrofe natural com base na dinâmica dos movimentos dos animais que estão a ser monitorizados.

Para o conseguir, a escala de animais a serem monitorizados é enorme. Por isso, o Projeto Ícaro é Open Source, ou seja, realizado apenas com voluntários que se inscrevem online para ajudar. Até agora, contam-se nas dezenas os mamíferos, aves, peixes e insetos já marcados e equipados com microemissores. Com a ajuda destes voluntários, Wikelski espera atingir vários milhares de animais até ao final do ano que vem.

“É mais ou menos como um novo sistema de SMS global, em que os animais funcionam como unidades autónomas”, diz Wikelski à Bloomberg acerca do Projeto Ícaro, acrónimo de International Cooperation for Animal Research Using Space (ICARUS, Ícaro em Inglês). “As pessoas chamam-lhe a Internet das asas”.

O projeto nasceu depois de Wikelski ter conseguido rastrear a migração de elefantes indonésios para terreno seguro antes de um tsunami ter devastado o país em 2004 e de, em 2012 e 2014, ter monitorizado as movimentações de cabras e ovelhas nas imediações do Etna, antecipando as erupções vulcânicas.

As agências espaciais alemã e russa, responsáveis pelo lançamento do satélite que recolherá toda a informação gerada (o que deverá acontecer em outubro), prometeram a Wikelski e à sua equipa de 50 universitários de 37 países um total de 13 milhões de dólares para desenvolver e lançar o satélite.

“As possibilidades para a navegação, para os humanos, são imensas”, diz Antoine Dujon, doutorando da Universidade Deakin, na Austrália, que estuda como as tartarugas marinhas usam a força da gravidade como um mapa para regressar ao local do seu nascimento. “Os animais podem transportar doenças. O que queremos saber é para onde. Se soubermos para onde, podemos criar áreas protegidas”. Navinder Singh, um ecologista da Universidade sueca de Ciências da Agricultura, afirma que o Projeto Ícaro tem o potenciar de ajudar os gestores agrícolas a utilizarem dados que até agora não têm um propósito definido.

O lado negro deste projeto é que esta tecnologia pode ser utilizada para rastrear humanos. “É um problema que pode surgir”, reconhece Wikelski, que afirma a esse respeito que mantém o seu código privado e que monitoriza cuidadosamente onde e quando esta rede é usada. Mas isso não a torna à prova de pirataria…

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