Pressionados pela subida dos juros, EUA lançam 99 mil milhões em dívida no mercado

A procura vai ser determinada pela postura dos investidores, ou seja, se são atraídos pelas yields elevadas ou se ficarão reticentes em comprar dívida numa altura de fraqueza.

Na mesma altura em que os juros da dívida norte-americana negoceiam em máximos de vários anos, o Tesouro dos EUA vai levar a leilão um total de 99 mil milhões de dólares em dívida de curto prazo, ao longo da semana. Com o mercado de dívida pressionado pela política monetária e pelo défice no país, o ponto de inversão poderá estar próximo.

A subida das yields da dívida norte-americana, que “vai por fim a um mercado secularmente otimista”, segundo afirmou o estrategista e trader de dívida independente, Marty Mitchell, à agência Bloomberg. “Com a expetativa que o défice dos EUA exploda e o monte de dívida norte-americana a amontar, é apenas uma questão de tempo”.

A tendência começou na semana passada, com os juros a dois anos desde 2008 e das Treasuries a 10 anos em máximos de sete anos. Os máximos aliviaram esta segunda-feira e as yields terminaram o dia nos 3,054% e 2,565%, respetivamente. No entanto, a altura continua a ser crítica para o Tesouro dos EUA inundar o mercado com dívida.

O destaque vai para os 33 mil milhões de dólares a dois anos que vão ser emitidos esta terça-feira, 36 mil milhões a cinco anos, na quarta-feira, e 30 mil milhões a sete anos, na quinta-feira. Entre outras emissões de títulos com menos de um ano, o total ascende a 99 mil milhões.

A procura vai ser determinada pela postura dos investidores, ou seja, se são atraídos pelas yields elevadas ou se ficarão reticentes em comprar dívida numa altura de fraqueza.

O principal fator para nervosismo é a expetativa que a Reserva Federal (Fed) altera o caminho e aumente as taxas de referência mais três vezes este ano (face à atual estimativa de duas subidas adicionais), sendo que a divulgação das minutas da última reunião de política monetária, na quarta-feira, poderão adicionar stress ao mercado. Também as preocupações sobre o défice e as crescentes necessidades de financiamento do governo estão a pesar sobre os títulos.

“Penso que vai ser realmente um braço de ferro entre os investidores que pensam que as taxas continuarão a subir mais e aqueles que entrarão num leilão para dizer que gostam das taxas onde estão”, disse Gennadiy Goldberg, estrategista de taxas de juros da TD Securities, à Reuters.