Eurogrupo: “Usaremos todos os instrumentos necessários para limitar as consequências” do Covid-19

Eurogrupo acordou um pacote de medidas para apoiar países afectados pelo Covid-19, que inclui o funciomaneto dos estabilizadores automáticos em pleno e o apoio às empresas, especialmente PME, para manter a liquidez. “É necessária uma resposta política imediata, ambiciosa e coordenada. Decidimos agir e iremos responder com rapidez e flexibilidade”, assume.

Cristina Bernardo

O Eurogrupo acordou esta segunda-feira uma política de ação coordenada entre todos os países da zona euro para proteger a economia do impacto do Covid-19. Os 19 ministros das Finanças dos países da moeda única anunciaram que os Estados não devem ficar presos às metas orçamentais para investir na contenção da epidemia e que devem utilizar os estabilizadores automáticos para enfrentar o efeito económico.

“Diante dessas circunstâncias excepcionais, concordamos que é necessária uma resposta política imediata, ambiciosa e coordenada. Decidimos agir e iremos responder com rapidez e flexibilidade aos desenvolvimentos à medida que estes se desenrolam. Usaremos todos os instrumentos necessários para limitar as consequências socioeconómicas do surto de Covid-19”, frisou o Eurogrupo, em comunicado divulgado após a reunião por video-chamada que teve lugar esta segunda-feira à tarde.

“Reunimos, portanto, um primeiro conjunto de medidas nacionais e europeias, estabelecendo um quadro para novas ações para responder aos desenvolvimentos e apoiar a recuperação económica”, sublinham.

O grupo presidido por Mário Centeno salienta que estimativas preliminares da Comissão Europeia mostram que o apoio orçamental total à economia “será muito considerável” e que “até o momento, decidimos medidas orçamentais de cerca de 1% do PIB, em média, para 2020 para apoiar a economia, além do impacto dos estabilizadores automáticos, que devem funcionar plenamente”.

“Todas as autoridades nacionais permitirão que os estabilizadores automáticos funcionem e, além disso, implementarão todas as medidas necessárias para garantir que as consequências económicas do Covid-19 sejam enfrentadas e que não ponham em risco os objetivos económicas e sociais. Na medida exigida pela evolução da situação em cada país, estes implementarão medidas temporárias, como gastos orçamentais imediatos direcionados ao isolamento e tratamento da doença”, sustentam. Anunciam ainda que “os recursos adequados serão fornecidos aos setores de saúde e sistemas de proteção civil”.

Comprometem-se ainda a “dar facilidades de liquidez de pelo menos 10% do PIB, consistindo programas de garantias públicas e pagamentos de impostos diferidos”, mas admite que “esses números podem ser muito maiores daqui para frente”.

“O apoio de liquidez para empresas que enfrentam graves interrupções e escassez de liquidez, especialmente PME e empresas em setores e regiões severamente afetados, incluindo transporte e turismo – isso pode incluir medidas fiscais, garantias públicas para ajudar as empresas a ter acesso a empréstimos, garantias de exportação e renúncia a penalizações por atraso em contratos públicos”, acrescentam.

Anunciam ainda que o apoio aos trabalhadores afetados para evitar desemprego e perdas de salários, incluindo o apoio a trabalho de curto prazo, a extensão de subsídios por doença e desemprego e o diferimento dos pagamentos de impostos sobre rendimentos

O Eurogrupo assinala ter discutido, em particular, a aplicação do PEC e as regras sobre auxílios do Estado e regras presenciais. ”

Discutimos, em particular, a aplicação do PEC, as regras em matéria de auxílios estatais e as regras prudenciais. “O choque económico do coronavírus, com uma contração económica agora esperada para este ano, juntamente com o custo de nossas medidas acordadas, terá um impacto orçamental substancial. O PEC tem a flexibilidade necessária para atender a esta situação e faremos pleno uso dessa flexibilidade em todos os Estados membro”, dizem.

Ler mais

Recomendadas

IRS: Novas retenções dão um euro por mês em salários de 750 euros. Já salários de 5.000 euros têm ganho mensal de 35 euros. Veja as simulações

As tabelas de retenção da fonte, que detalham a aplicação do alívio fiscal que consta no Orçamento do Estado, foram hoje publicadas em dezembro, chegando a tempo do processamento dos salários de janeiro. Veja aqui as simulações da EY sobre o impacto efetivo da redução das taxas nos rendimentos das famílias, nos diversos escalões de rendimentos.

Taxas de retenção: Alívio no IRS dá 3,8 euros por mês num salário médio

Tabelas de retenção do IRS já foram publicadas. Trabalhadores dependentes já podem calcular quanto irão descontar todos os meses. Para um salário mensal médio de 1.266 euros, solteiros têm um ganho mensal inferior a quatro euros o que perfaz um aumento do rendimento disponível anual de 53,2 euros. Para casais com mesmo salário e dois filhos ganho anual é de 56 euros.

Salários até aos 686 euros ficam isentos de IRS em 2021

Retenção de IRS começa para quem ganha mais de 686 euros. Alívio no imposto do próximo ano que reflete a redução as taxas de retenção na fonte do IRS no início de 2021. Medida abrange dois milhões de contribuintes e contempla uma redução média (e progressiva) de 2% nas retenções. Trabalhadores dependentes já podem calcular quanto irão descontar todos os meses.
Comentários