O novo coronavírus foi classificado como epidemia em fins de janeiro e a 11 de março evoluiu para pandemia. A primeira vaga começou ainda em 2019 e depois do desconfinamento de alguns países já se fala da possibilidade de uma segunda vaga do vírus surgir brevemente.
A diretora do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, sigla inglesa), Andrea Ammon, sustentou numa entrevista ao ‘The Guardian’ que uma segunda vaga está cada vez mais perto de acontecer na Europa. “A questão é quando e quão grande”, disse Ammon, acrescentando que este é o seu ponto de vista enquanto diretora do centro de prevenção.
“Olhando para as características do vírus, olhando para o que agora emerge dos diferentes países em termos de imunidade”, que se tem encontrado entre 2% e 14%, deixando ainda cerca de 85% a 90% da população suscetível, afirmou a antiga assessora do governo alemão. “O vírus está à nossa volta, circulando muito mais do que em janeiro e fevereiro… Não quero pintar um desenho do juízo final mas penso que temos de ser realistas”, apontou.
“Este ainda não é o tempo de relaxar completamente”, sustentou Andrea Ammon abordando as medidas de relaxamento que muitos países já estão a aplicar. Ainda no início do mês, a diretora do ECDC anunciou que a Europa já tinha ultrapassado o pico das infeções, excluindo a Polónia.
Depois de perceber a natureza contagiosa do vírus, o ECDC alertou os governos europeus que deveriam aumentar a capacidade dos seus serviços de saúde, com receio que estes ficassem sobrelotados com casos de infeção graves, como se veio a verificar em Itália e Espanha, e mais tarde no Reino Unido.
“Enfatizámos que os planos precisavam de ser atualizados. Particularmente, a preparação dos hospitais precisava de ser observada, para garantir que existia uma maior capacidade de camas, nomeadamente em Unidades de Cuidados Intensivos”, disse a diretora do ECDC.
“Na minha opinião, os governos subestimaram a velocidade a que o vírus se propagou. Porque é uma situação completamente diferente ter de aumentar as camas dos cuidados intensivos em duas semanas ou em dois dias”, esclareceu.

