Ex-presidente da SATA “sem perceber” alienação do capital social da Azores Airlines

“Eu ainda não consigo perceber esta privatização de 49% do capital social da Azores Airlines, sendo as condições do caderno de encargos de tal forma leoninas e tão negras que me é difícil perceber que haja alguém com apetência para adquirir o capital. Sendo minoritário é difícil”, declarou o gestor António Cansado.

O antigo presidente da SATA António Cansado afirmou esta sexta-feira não perceber o processo de alienação de 49,9% do capital da Azores Airlines e que a reestruturação financeira do grupo é a única solução que se impõe.

“Eu ainda não consigo perceber esta privatização de 49% do capital social da Azores Airlines, sendo as condições do caderno de encargos de tal forma leoninas e tão negras que me é difícil perceber que haja alguém com apetência para adquirir o capital. Sendo minoritário é difícil”, declarou o gestor.

O presidente do conselho de administração do grupo SATA de 1997 a 2007, considerado o pai da SATA Internacional, hoje Azores Airlines, foi ouvido na quinta-feira na Comissão Eventual de Inquérito ao Setor Público Empresarial Regional e Associações Sem Fins Lucrativos Públicas, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

A transportadora islandesa Loftleiðir Icelandic apresentou em julho uma proposta para a aquisição de 49% do capital social da Azores Airlines após ter sido pré-qualificada na primeira fase do processo.

O grupo SATA anunciou em 17 de abril que a empresa foi pré-qualificada para a segunda fase do processo de negociação da alienação de 49% do capital social da Azores Airlines.

Considerando que a Loftleiðir Icelandic tem uma marca “bem superior à da SATA e, podendo operar, com aviões próprios, a partir de Ponta Delgada “quando lhe apetecer”, não vê porque “precisa da SATA”, questionando-se sobre quais as reais motivações do interesse da operadora islandesa e do acionista, o Governo dos Açores.

“Há quem saiba, seguramente, mas eu não sei”, declarou, sublinhado estranhar a morosidade na resposta de aceitação ou não da proposta dos islandeses por parte do acionista da Azores Airlines, uma vez que, no âmbito de um concurso público, “todas as propostas cumprem ou não procedimento” e as que não cumprem “são excluídas”.

António Cansado, que desconhece qual o plano estratégico para a SATA visando ultrapassar as suas dificuldades financeiras, afirma que a solução “só pode ser, no imediato, promover o seu saneamento para que possa começar a sua atividade de forma normal e com uma gestão equilibrada”.

Em sede da comissão de inquérito, o gestor manifestou-se contra a extinção da SATA SGPS e compra dos aviões DASH 400 3 200 para a frota da SATA Air Açores, em alternativa aos ATR, tendo afirmado que as obrigações de serviço público para as ilhas Faial, Pico e Santa Maria são “uma desgraça” em termos financeiras, admitindo a privatização dessas rotas.

António Cansado é ainda contra ao modelo de transporte aéreo em vigor para os Açores, uma vez que os açorianos “não estão a ser tratados por igual”.

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